Por Marcos Vinicius Cabral
A Série C do Campeonato Carioca de 2026, com previsão de começar em julho de 2026, terá um atrativo inédito e histórico: pela primeira vez, uma equipe formada exclusivamente por atletas indígenas disputará a competição. A iniciativa é fruto da parceria entre o Esporte Clube Originários (ECO) e o Ceres Futebol Clube.
Será a primeira vez que o estado do Rio de Janeiro contará com um time 100% indígena na Série C do Campeonato Carioca. Mais do que um projeto esportivo, a proposta leva aos gramados do futebol estadual a representatividade dos povos originários, unindo esporte, identidade cultural e resistência.
Mas não se trata apenas de competir ou de investir em contratações fora da realidade financeira do clube. Segundo Tupã Darci Nunes, presidente do ECO, o foco inicial vai além do desempenho esportivo. A ideia é deixar um legado e dar visibilidade à luta pela preservação dos territórios indígenas. “Fazer parte de uma tribo indígena é, acima de tudo, luta e resistência”, afirmou o dirigente.
Segundo Tupã, a política do clube também rompe com padrões tradicionais do futebol. “O mais interessante é que não falamos apenas de salário na hora de receber ou contratar um atleta. Queremos valorizar a ancestralidade e a história de cada jogador com seu povo. Acreditamos que, quando o guerreiro é bom, o valor financeiro passa a ser secundário. Precisamos deixar um legado, ainda mais diante das ameaças constantes ao nosso território e ao Meio Ambiente”, destacou.
O ECO deve mandar seus jogos no Estádio João Francisco dos Santos, campo do Ceres, em Bangu, enquanto os treinamentos acontecem em Itaipuaçu, distrito localizado no litoral de Maricá, no Leste Fluminense.
Uma das estratégias adotadas pelo clube é alojar os atletas em uma residência situada dentro da aldeia da Mata Verde Bonita, que abriga cerca de 70 famílias indígenas, em Itaipuaçu. Localizada a aproximadamente 1 quilômetro do Campo do Dínamo, a iniciativa vai além da logística esportiva.
Ao integrar os jogadores ao cotidiano da aldeia, o clube reforça sua proposta de aproximação cultural e valorização das raízes indígenas, além de facilitar o deslocamento dos atletas para os treinamentos.
“Tudo foi planejado. O alojamento fica bem perto do campo, dá para ir a pé. O deslocamento do atleta será rápido, sem perda de tempo com o trânsito da cidade”, explicou Anderson Terra, presidente do Terra do Saber, empresa de marketing que trabalha em parceria com o ECO na captação de recursos e busca de patrocínios
Como surgiu a ideia do ECO
A criação de um time formado 100% por atletas indígenas ganhou força após a realização do primeiro Campeonato Nacional Indígena, competição que reuniu 92 equipes de diferentes regiões e etnias do país. Atualmente, estima-se que cerca de 25 jogadores indígenas atuem nas Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro. Um dos nomes mais conhecidos é Cauan Barros, volante do Vasco da Gama, que tem origem da tribo Pankararu, em Pernambuco.
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