Política
Desigualdade

Mulheres avançam na indústria fluminense, mas ainda são minoria

Atualmente, de acordo com dados da Firjan, as mulheres representam 22,3% da força de trabalho industrial no estado

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12 de março de 2026
Mulheres avançam na indústria fluminense, mas ainda são minoria
Apesar do crescimento, a participação feminina ainda é considerada baixa.

A presença das mulheres na indústria do estado do Rio de Janeiro registrou crescimento significativo nos últimos anos. Levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) aponta que o número de trabalhadoras no setor aumentou 70% entre 2020 e 2025, percentual superior ao avanço registrado entre os homens no mesmo período, que foi de 34%.

Apesar do crescimento, a participação feminina ainda é considerada baixa. Atualmente, as mulheres representam 22,3% da força de trabalho industrial no estado, enquanto os homens ocupam 77,7% das vagas.

Os dados fazem parte da “Pesquisa Firjan de Diversidade, Equidade e Inclusão na Indústria Fluminense”, elaborada com base em levantamento com 130 empresas e informações da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo analisa o cenário da participação feminina no setor e aponta os principais desafios para ampliar a equidade de gênero.

De acordo com o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, embora o número de mulheres tenha aumentado, a indústria ainda apresenta uma das maiores desigualdades de gênero no mercado de trabalho do estado.

Segundo ele, o objetivo da pesquisa é identificar as barreiras que ainda limitam a participação feminina, além de contribuir para o desenvolvimento de políticas voltadas à diversidade, equidade e inclusão no ambiente industrial.

Presença feminina concentrada em poucos segmentos

O levantamento mostra que, entre os 33 segmentos industriais analisados no estado, as mulheres são maioria em apenas dois: vestuário e acessórios, com 66,9% da força de trabalho, e artefatos de couro, artigos de viagem e calçados, onde representam 58,8%.

Em áreas ligadas à produção, tecnologia e infraestrutura — que costumam concentrar maiores salários e oportunidades de crescimento profissional — a participação feminina ainda é bastante reduzida

Liderança também é desafio

A desigualdade também aparece nos cargos de liderança. No Rio de Janeiro, apenas 29,5% das posições de comando na indústria são ocupadas por mulheres. Em funções administrativas ou intelectuais, o percentual feminino é um pouco maior, chegando a 36,3%.

Para a empresária Carla Pinheiro, presidente do Conselho Empresarial de Mulheres da Firjan, os números refletem barreiras históricas no setor.

Segundo ela, ainda existem obstáculos estruturais e culturais que dificultam a inserção feminina em áreas industriais como energia, infraestrutura e bens duráveis, o que reforça a necessidade de políticas públicas e iniciativas empresariais voltadas à inclusão.

Iniciativas de capacitação

Com o objetivo de ampliar a presença feminina na indústria, a Firjan desenvolve programas de qualificação em parceria com empresas.

Um exemplo é o projeto Proquali, realizado em conjunto com o Porto Sudeste, que ofereceu formação técnica em Mecânica Industrial para mulheres. Entre as participantes está Danielle Theodoro, de 37 anos, que após concluir o curso foi contratada pela Ternium Brasil como operadora de água e efluentes.

Outro caso é o de Angela Amorim, de 51 anos, moradora de Duque de Caxias, que conseguiu uma vaga como ajudante de obras após participar do programa Autonomia e Renda Petrobras.

Além dessas iniciativas, também são realizados projetos como a Escola de Mulheres Eletricistas, desenvolvida com a Enel Distribuição Rio, e cursos de formação profissional voltados para áreas técnicas da indústria.

Mesmo com avanços recentes, o estudo indica que ampliar a participação feminina na indústria fluminense ainda exige investimentos em qualificação, políticas de inclusão e mudanças estruturais no mercado de trabalho.


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