O Brasil passa por um momento de completa descrença em suas instituições, basta acompanhar o noticiário nacional para corroborarmos com essa tese; Judiciário, executivo e legislativo completamente açodados em escândalos que a cada manhã parecem se superar e o que achávamos o fim do mundo, é apenas um insight dantesco do inferno no qual jazem a moral, a empatia e compromisso com a coisa pública em avançado estado de putrefação.
A famosa frase “Deixai toda a esperança, vós que entrais” fixada na entrada dos portões do Inferno no Canto III da obra A Divina Comédia de Dante Alighieri, tem muita relação com o atual momento de descrédito geral que assola os filhos da mãe gentil.
A presente reflexão discute a hipótese do salto geracional como condição necessária para que o Brasil, possa a semelhança de países alguns países, transforma sua economia e sociedade através de uma ampla reestruturação dos sistemas de ensino bem como um amplo debate sobre ética, cidadania e o exercício da função pública.
O cenário catastrófico no qual estamos submersos é resultado diretamente proporcional da falta de engajamento, apatia e conformismo de todos nós ao quedarmos inertes ante tal escarnio.
Chamamos Lula de ladrão, Bolsonaro de golpista e genocida, mas votamos neles, nossos malvados favoritos.! Não damos oportunidade a outros mesmo diante de tantas evidencias com se enfeitiçados estivéssemos, dizemos que os deputados, os prefeitos roubam, mas os reelegemos. Sim, somos cumplices dessa traição desse crime de lesa-pátria. Traímos quando fugimos a luta contra esses maus gestores e péssimos homens públicos que usam a coisa pública com quintal de suas casas.
A tese sustenta que o país atravessa um ciclo prolongado de estagnação institucional, política, produtiva e intensa corrupção, cujo rompimento exige não apenas reformas estruturais, mas a emergência de uma nova geração de agentes públicos e sociais capazes de integrar avanços tecnológicos a valores tradicionais que estruturam a vida coletiva. Que pensam no longo e não no curto prazo, o que seria o fim da era dos políticos e inicio da transição para a era dos estadistas, ou seja, de líderes que governam com sabedoria, visão de longo prazo e foco no bem-estar coletivo, superando interesses partidários ou pessoais. Diferente do político comum, que atua pensando apenas nas próximas eleições, o estadista toma decisões cujos resultados beneficiarão as futuras gerações
O Salto Geracional não se limita à substituição etária de indivíduos, mas implica uma renovação cultural, ética e institucional. Trata-se de formar sujeitos aptos a operar na vida pública, sem perder de vista princípios como responsabilidade pública, solidariedade, integridade e compromisso com o bem comum.
Nesse contexto, a renovação de quadros políticos, educacionais e administrativos assume papel estratégico. Novos políticos, menos vinculados a estruturas tradicionais de poder e mais familiarizados com práticas de transparência e governança digital, podem contribuir para a reconstrução da confiança pública. Professores preparados para integrar tecnologias educacionais de forma crítica e pedagógica tornam-se fundamentais para a formação de cidadãos capazes de inovar e participar ativamente da vida democrática. Da mesma forma, gestores públicos e profissionais de diversas áreas, ao incorporar tecnologias emergentes, podem elevar a produtividade e a competitividade nacional.
O salto geracional também demanda a revisão de modelos institucionais ultrapassados. A simplificação de processos, a modernização administrativa e a promoção de uma cultura de inovação devem ser acompanhadas da preservação de valores que funcionam como âncoras éticas. A combinação entre tradição e inovação constitui, portanto, o núcleo da proposta.
Conclui-se que o salto geracional representa uma estratégia de reconstrução nacional que articula tecnologia, ética e renovação institucional. Não se trata de ruptura destrutiva, mas de uma transição orientada para a formação de uma sociedade mais dinâmica, eficiente e socialmente comprometida. Essa síntese entre modernidade e valores tradicionais pode oferecer ao Brasil as condições necessárias para retomar um ciclo sustentável de crescimento e desenvolvimento.

Professor Hélvio Costa é jurista e professor universitário
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