Evento será realizado no Largo de São Francisco, no Centro do Rio.
*Por: Pós – Doutor Babalawô Ivanir dos Santos
Desde sempre em nossa história, a academia tem sido o local de acolhimento dos filhos da Casa Grande, o sonho da classe média em ver suas proles com diplomas de “doutor”. Proporcionalmente, poucos e heroicos negros, advindos das antigas senzalas, conseguiram acessar, manter-se e formar-se nela. Produzindo desigualdade social; profissional e um pensamento eurocêntrico que em nada ajuda a construção da diversidade na sociedade brasileira.
A partir da Lei de Cotas (12.990/2014), pela qual lutamos – e que não se dirige apenas aos negros, pardos e índios: abrangendo, prioritariamente, alunos oriundos de escolas públicas e de baixa renda – as universidades brasileiras passaram a ver seus corpos discentes e docentes com um percentual maior de negros. Mesmo com o protesto dos neoliberais que defendem a “meritocracia”, está provado por estatísticas que tais medidas, além de garantir o pleno aproveitamento dos alunos cotistas, beneficiaram as universidades e a sociedade brasileira. Além de ser como afirmou o ministro Luís Roberto Barroso:
“Uma reparação histórica a pessoas que herdaram o peso e o custo social e o estigma moral, social e econômico que foi a escravidão no Brasil e, uma vez abolida, entregues à própria sorte, sem condições de se integrarem à sociedade” .
A UFRJ é uma referência, sendo considerada uma das melhores universidades do Brasil e do mundo. Depois desses anos malignos que passamos no Governo Federal, em particular com o desmonte da Educação, da Cultura e dos Direitos dos Seres Humanos em geral e dos Trabalhadores em particular; faz-se necessário abrirmos as janelas da alma e das Instituições para que o ar fresco possa trazer-nos o futuro.
Por isso, nas próximas eleições para a Reitoria, que ocorrerão no dia 25 de abril, nós do Coletivo de Docentes Negros da UFRJ lançamos uma chapa cujo candidato a Reitor, Vantuil Pereira, e Vice-Reitora, Katya Gualter, são ambos pretos. Temos a convicção de que um novo olhar sobre a UFRJ em particular, e a Universidade Pública no Brasil em geral, trará um salto qualitativo nas relações de respeito, tolerância, combate ao preconceito e avanço acadêmico e social.
Em 21 de março de 1960, aconteceu o Massacre de Sharpeville, em Johanesburgo, África do Sul, onde morreram 69 pessoas e cerca de 180 ficaram feridas. Momento em que a opinião pública do mundo passou a protestar com mais intensidade contra o apartheid. Nove anos depois, a ONU implementou a data como Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. Neste meio tempo, em 1965, outra importante conquista: As marchas de Selma a Montgomery, no Alabama, EEUU – realizadas pelo Pastor Martin Luther King Jr, mas com amplo apoio da sociedade – acontecidas três vezes, sendo a primeira conhecida como “Domingo Sangrento”, e que acabaram por aprovar a Lei dos Direitos ao Voto dos Negros naquele ano.
É neste simbólico 21 de março que declaramos nosso apoio à chapa de Reitor e Vice-Reitora da UFRJ a dois negros que representam uma queda de paradigma: Vantuil Pereira e Katya Gualter. Desde sua fundação, a UFRJ jamais teve um negro neste cargo. E o momento político brasileiro exige tal avanço na direção da igualdade, da diversidade e da democracia racial.
*Professor e orientador no Programa de Pós-graduação em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGHC/UFRJ) I
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