Centro de Qualidade de Vida terá atendimento multiprofissional e linha específica para crianças e adolescentes. (Foto: Divulgação)
A cidade de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, ganhou, na última sexta-feira (4), o Centro de Qualidade de Vida (CQV), unidade voltada à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento da obesidade na rede municipal de saúde. Localizado na Avenida Nunes Sampaio, nº 576, em Andrade Araújo, o centro terá capacidade para atender cerca de 800 pacientes por mês.
A estrutura reúne acompanhamento médico, nutricional e psicológico, atividade física, tratamento medicamentoso e avaliação para cirurgias bariátrica e metabólica.
Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) mostram que 37.373 dos 55.581 adultos avaliados no município em 2026 apresentavam sobrepeso ou algum grau de obesidade, o equivalente a 67,44%.
Desse total, 18.026 estavam com sobrepeso, 10.984 apresentavam obesidade grau I, 4.531 tinham obesidade grau II e 2.832, obesidade grau III. Considerando apenas os três níveis de obesidade, foram registrados 18.347 casos, correspondentes a 33,01% dos adultos analisados.
Os dados abrangem moradores acompanhados e registrados no SISVAN pela Atenção Primária. Por isso, não representam uma estimativa da prevalência de obesidade em toda a população de Belford Roxo.
O CQV também oferecerá uma linha de prevenção e tratamento direcionada a crianças e adolescentes. O trabalho prevê a identificação do ganho acelerado de peso e de fatores de risco metabólico, além do incentivo a mudanças na alimentação, na prática de atividades físicas e no sono.
Em 2025, 6.221 dos 19.858 adolescentes acompanhados pelo SISVAN no município apresentavam excesso de peso, o equivalente a 31,33% do total avaliado. Foram registrados 3.913 casos de sobrepeso, 1.820 de obesidade e 488 de obesidade grave.
Segundo a prefeitura, o atendimento será definido de acordo com as necessidades de cada paciente, abrangendo desde casos de sobrepeso associado a outras doenças até quadros de obesidade grave e múltiplas comorbidades.
A unidade será coordenada pelo cirurgião bariátrico Fábio Viegas, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). A capacidade inicial será de até 6 mil novas avaliações por ano. Após a consolidação do programa, a expectativa é manter entre 2 mil e 3 mil pacientes em acompanhamento contínuo.
Atualmente, 203 pacientes aguardam na fila municipal para cirurgia bariátrica. Os casos serão avaliados individualmente, e o tratamento poderá envolver acompanhamento clínico, medicamentos, mudanças de hábitos ou encaminhamento para cirurgia, conforme indicação médica.
“A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial e precisa ser tratada dessa maneira. O grande avanço deste projeto é oferecer uma jornada completa ao paciente”, afirmou Fábio Viegas.
O centro conta ainda com quadra poliesportiva e academia para incorporar a atividade física ao tratamento. A iniciativa busca estabelecer uma linha permanente de cuidado, com ações preventivas desde a infância e acompanhamento de pacientes que necessitam de tratamentos de maior complexidade.
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