A paixão pelo álbum da Copa do Mundo ganhou um significado especial no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, na Zona Sul da capital fluminense. A instituição lançou a campanha “Jogue Limpo com o Planeta”, que pretende arrecadar entre 50 mil e 100 mil liners – o papel siliconado que serve de base para as figurinhas adesivas e que exige um processo específico de reciclagem.
A iniciativa une educação ambiental, solidariedade e aprendizagem. Todo o valor arrecadado com a destinação correta do material será revertido para o Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc), entidade que presta assistência a crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer.
Embora tenha aparência semelhante à do papel comum, o liner possui uma camada de silicone que impede sua reciclagem pelos métodos convencionais. Quando descartado de forma inadequada, o material pode permanecer no meio ambiente por até cem anos.
Para garantir a destinação correta dos resíduos, o colégio instalou pontos de coleta na unidade e estruturou a logística para encaminhar o material à Polpel, empresa especializada na reciclagem desse tipo de produto, localizada em São Paulo.
A campanha faz parte da proposta pedagógica da escola e está alinhada aos princípios da ecologia integral, conceito que orienta diversas ações educacionais desenvolvidas pela instituição. O objetivo é estimular os alunos a refletirem sobre consumo, responsabilidade coletiva e preservação ambiental a partir de situações presentes em seu cotidiano.
“Aproveitamos um interesse genuíno das crianças para promover reflexões importantes. Queremos mostrar que o consumo e o descarte não podem ser banalizados e que pequenas ações do dia a dia podem gerar grandes transformações. A campanha vai além da coleta de resíduos: ela reforça valores de responsabilidade, sustentabilidade e cuidado com a Casa Comum”, destaca a orientadora educacional Vivilaine Maturana.
Dos cerca de 2.800 estudantes do turno diurno, a escola estima que pelo menos 60% estejam colecionando o álbum da Copa. Diante desse cenário, os educadores identificaram a oportunidade de transformar a febre das figurinhas em uma experiência interdisciplinar de aprendizagem.
Nas aulas de matemática, por exemplo, os alunos trabalham conceitos relacionados à educação financeira, sistema monetário, probabilidades e custos envolvidos para completar a coleção. Já as atividades ligadas ao consumo consciente incentivam reflexões sobre a relação dos estudantes com os objetos colecionáveis, valorizando aspectos como organização, preservação e propósito.
A campanha também tem impacto no desenvolvimento socioemocional. O tradicional ponto de troca de figurinhas, montado no pilotis da escola durante o período da manhã, tornou-se um espaço de convivência e interação, onde os alunos exercitam habilidades como negociação, argumentação, escuta, empatia e resolução de conflitos.
A ação seguirá até agosto, quando todo o material arrecadado será encaminhado para reciclagem, encerrando uma iniciativa que une educação, cidadania e solidariedade em torno da paixão nacional pelas figurinhas da Copa do Mundo.



