*Por Marcello Barbosa
Os benefícios do exercício físico já estão comprovados e bastante disseminados junto à população, principalmente nos grandes centros urbanos. Então, por que as pessoas não se engajam em um programa de atividades físicas? E quando o fazem, por que não conseguem manterem-se fiéis por muito tempo, fazendo com que a prática do exercício físico seja parte constante do cotidiano?
As respostas possíveis a essas perguntas são objetos de intensos debates entre os pesquisadores, empresários e profissionais da área da saúde. O grande desafio é o entendimento das variáveis que atuam e interferem numa mudança de comportamento do indivíduo em relação à saúde, na sua forma mais ampla de possibilidades.
A análise das variáveis que interferem negativamente na adesão ao exercício e os processos capazes de desencadear uma mudança de comportamento, parecem ser o caminho mais adequado para se compreender e buscar alternativas capazes de conscientizar a população sobre a importância de se ingressar em programas regulares de exercícios físicos. Mas conscientizar somente não é o bastante. Pesquisas demonstram que, embora muitos entendam e acreditem nos benefícios, poucos tomam atitude da mudança e se mantém fiéis à prática.
Diversos modelos de comportamento foram criados para facilitar as intervenções com exercícios de acordo com a realidade das pessoas. O Modelo Transteórico (Prochaska & Di Clemente, 1991) exerceu grande influência na elaboração das intervenções com exercícios e foi aplicado em inúmeras áreas de mudança comportamental na esfera da saúde. Esse modelo se refere a uma progressão de comportamento por meio de estágios pré-determinados, onde cada indivíduo se encontra momentaneamente. Os estágios se definem como:
a. Pré-Contemplação: nenhuma intenção de fazer mudança e nenhum exercício;
b. Contemplação: intenção (os indivíduos “pensam” em fazer a mudança), porém nenhum exercício;
c. Preparação: intenção e exercício ocasional (sem regularidade e sem os critérios mínimos recomendados);
d. Ação: exercício regular, porém o tempo é inferior a seis meses;
e. Manutenção: exercício regular por seis meses ou mais.
Esse modelo reconhece que, embora seja primariamente psicológico, fatores específicos do processo de mudança, como a percepção dos benefícios (prós) e das barreiras (contras), incluem em sua análise fatores sociais e do ambiente. Por considerar os processos cognitivos e comportamentais, além dos fatores internos e do ambiente, todos envolvidos na adoção do novo comportamento relacionado à saúde, o Modelo Transteórico ganha destaque na área da atividade física (Barbosa, 2008).
Ao se ter conhecimento sobre o estágio de comportamento em que determinado indivíduo se encontra, torna-se mais clara a metodologia a ser empregada para facilitar a progressão da mudança e a posterior manutenção desse comportamento.
Na fase de Pré-Contemplação, é necessário fazer uso de diversos recursos para enfatizar a importância da mudança. O que se destaca nessa fase é a informação, que deve ser apresentada de maneira simples, clara e compreensível.
A Contemplação já envolve a intenção da mudança. Existe a vontade, mas ainda não foi dado o primeiro passo. A influência do Profissional de Educação Física é maior nesse caso do que no primeiro, pois pode possibilitar a adesão por meio de facilitadores como horários flexíveis, oferta de atividades, exercícios empolgantes, feedbacks de resultados etc.
A fase da Preparação é caracterizada pelo exercício ocasional, irregular, porém o indivíduo já possui algum conhecimento e considera os benefícios da prática de exercícios. Isso já é visto como um grande facilitador, e o desafio do Profissional de Educação Física é mostrar que os objetivos serão atingidos somente se o cliente mantiver um mínimo de regularidade, condição essencial para promover as mudanças objetivadas por ele.
Na fase da Ação, embora o exercício seja regular, ainda não ultrapassou seis meses de prática e os incentivos constantes não devem ser desprezados, pois podem prevenir recidivas, além de manterem o apelo motivacional da atividade.
A fase da Manutenção requer um pouco mais de criatividade do Profissional de Educação Física. O desafio é não deixar que a atividade torne-se monótona e, com isso, diminua o interesse do praticante, além de intensificar o reforço positivo para preservar a mudança comportamental adquirida. Com estímulos variados, planejamento de metas específicas, reforços e feedbacks apropriados, é possível que o praticante mantenha-se ativo durante um longo período de tempo.
O Profissional de Educação Física experiente ajuda o cliente a identificar todos os benefícios e custos de uma mudança de comportamento. Uma vez identificado, juntos poderão criar maneiras de prevenir a desistência e aumentar os benefícios.

*Marcello Barbosa, Subsecretário de Esportes RJ, é Professor de Educação Física e Mestre em Projetos Sociais e Intervenção Socioeducativa.
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