O prefeito do Rio, Eduardo Paes. Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil
*Por Marcos Luz
A trajetória política de Eduardo Paes é marcada por uma habilidade rara e para muitos, controversa: a de se equilibrar entre polos ideológicos sem se fixar em nenhum deles. Em um cenário político cada vez mais polarizado, Paes construiu sua identidade pública como um gestor pragmático, que transita entre diferentes campos, evitando rótulos definitivos.
Ao longo dos anos, o prefeito do Rio de Janeiro buscou ocupar uma posição de centro. Tem apoio de setores da esquerda, dialoga com pautas progressistas, mas evita se declarar como um político de esquerda. Ao mesmo tempo, se aproxima de grupos conservadores, sem se posicionar claramente como representante da direita. Essa ambiguidade, longe de ser acidental, parece ser uma estratégia deliberada.
Sua carreira partidária reforça essa leitura. Paes já passou por diversas siglas, adaptando-se aos contextos políticos de cada momento. Em seus mandatos à frente da prefeitura, montou chapas que traduzem esse ecletismo: já teve vice do PT e também do PL, partidos que representam campos ideológicos opostos no espectro político brasileiro.
Essa postura voltou ao centro do debate após movimentos recentes. Durante sua última eleição, Paes prometeu ao eleitor carioca que não deixaria a prefeitura caso fosse reeleito. No entanto, posteriormente se lançou candidato ao governo do estado, levantando questionamentos sobre coerência e compromisso político.
Agora, ao anunciar Jane Reis como vice em sua nova composição política, reacende discussões sobre suas alianças. Jane, que disputou a prefeitura de Magé em 2020 e terminou em último lugar, carrega consigo o peso e a influência de sua família. Ela é irmã de Washington Reis, aliado de primeira hora do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A escolha evidencia, mais uma vez, a tentativa de Paes de ampliar seu espectro político, dialogando com setores que orbitam o bolsonarismo. Ao mesmo tempo, figuras da esquerda fluminense, como Washington Quaquá, demonstram apoio à aliança, o que levanta uma questão inevitável: como o presidente Lula enxerga esse movimento?
O cenário que se desenha é de incerteza. Eduardo Paes, mais uma vez, tenta exercer seu papel de equilibrista agora em um contexto ainda mais sensível, com uma polarização política consolidada no país.
Mas até que ponto essa estratégia continuará funcionando?
No fim, a conta é simples e arriscada. Ao misturar apoios de lados opostos, Eduardo Paes tenta ampliar seu eleitorado, mas abre espaço para rejeição dos dois lados.
Pode até ganhar algum terreno na direita, mas dificilmente conquista confiança plena. Já na esquerda, o movimento tende a gerar desgaste.
O resultado depende de um fator primordial, se o eleitor moderado vai continuar comprando a imagem de equilíbrio, mas se esse eleitor começar a ver nisso falta de coerência, aí Eduardo pode perder mais do que ganhar.
No fim das contas, a maior habilidade de Eduardo Paes pode também ser seu maior risco.
Em política, equilibrar-se demais pode significar não ter chão firme em nenhum dos lados.
*Marcos Luz é presidente do Conexão Fluminense
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