Por Marcos Vinicius Cabral
Reeleito em dezembro de 2025 por aclamação, Alfredo Lopes continuará à frente do Sindicato de Hotéis e Meios de Hospedagem do Município do Rio de Janeiro (HotéisRIO) no triênio 2026–2028. Reconhecido como uma das principais lideranças do turismo fluminense, o executivo pretende junto às autoridades conseguir regulamentação para as plataformas de vendas de hospedagens e lutar pela ampliação da malha aérea. Em entrevista exclusiva por telefone para o CONEXÃO FLUMINENSE, o presidente falou sobre assuntos importantes para quem vai comandar uma das principais instituições hoteleiras da cidade do Rio de Janeiro.
O senhor foi reeleito para comandar o HotéisRIO no triênio de 2026 a 2028. Qual o significado deste resultado e os desafios da próxima gestão?
Acredito que demonstre que estamos no caminho certo. Nos últimos anos, deixamos de ser apenas uma entidade de representação para nos tornarmos protagonistas da economia do Rio. Lutamos pela inclusão da hotelaria no Perse, inicialmente pensado apenas para a área de eventos; trabalhamos pela regulamentação das plataformas de vendas de hospedagens, pois queremos condições justas de concorrência, e atuamos na qualificação de mão de obra, por meio da Escola de Hoteleiros.
Fizemos duas feiras de empregabilidade, nas quais atendemos mais de 3 mil pessoas interessadas em trabalhar na área. Também oferecemos às equipes um treinamento de identificação de bebidas falsificadas, para incrementar a segurança do que é servido aos hóspedes.
Temos muitos desafios no futuro, como o trabalho em parceria com as autoridades de segurança, de forma a melhorar nossa imagem junto aos turistas, e continuar exigindo a regulamentação das plataformas.
Como o senhor avalia o momento atual do setor hoteleiro no Rio?
O momento atual é de crescimento, até porque nos beneficiamos de um aumento no fluxo turístico, tanto doméstico quanto internacional, resultado de um trabalho de promoção do nosso destino no exterior e por uma agenda de eventos como shows e atividades esportivas. O reflexo disso são boas taxas de ocupação hoteleira. Mas não podemos relaxar e é preciso continuar investindo em promoção publicitária de nosso estado. Outro ponto no qual devemos atuar é no crescimento da malha aérea, buscando atrair mais voos e, consequentemente, mais turistas, em especial de países como China e Índia.
Hoje quais são regiões do Rio de Janeiro que apresentam melhor desempenho no setor (Zona Sul, Barra, Centro, Zona Norte ou Zona Sudoeste)?
A Zona Sul, em especial bairros litorâneos como Copacabana, Ipanema e Leblon, continua sendo a escolha de boa parte dos turistas, pela proximidade das praias e de pontos turísticos mundialmente conhecidos. Já a Barra da Tijuca tem se consolidado como um segundo polo de atração, tanto de visitantes de lazer quanto de eventos corporativos, pois conta com uma oferta hoteleira diversificada, shoppings e infraestrutura moderna.
O perfil do hóspede de hotéis mudou nos últimos anos?
O visitante atual é mais exigente e busca uma experiência que vá além da simples estadia. Os hóspedes estrangeiros passaram a valorizar experiências autênticas, cultura local e atividades ao ar livre e é exatamente isso que nossa cidade oferece. É possível almoçar em um restaurante de padrão internacional e, à noite, conhecer uma roda de samba na Lapa.
Como o setor se organiza para vencer a concorrência com aplicativos de aluguel por temporada?
É preciso deixar claro que não somos contra essa modalidade de hospedagem. Tudo o que queremos são condições justas de concorrência, o que não acontece hoje. As plataformas não pagam a mesma carga tributária que os hotéis, assim como não seguem regras sanitárias e nem oferecem condições de segurança. Prédios residenciais que permitem esse tipo de locação sofrem com assaltos e até com violências mais graves, tanto para quem se hospeda quanto para os moradores. Nos hotéis, as equipes são treinadas continuamente, há atenção às regras sanitárias e respeito a rigorosos protocolos de limpeza e de atendimento. Além disso, temos equipes profissionais que cuidam do bem-estar e das necessidades dos clientes. É isso que estamos mostrando para os turistas.
Qual é o impacto dos grandes eventos (Réveillon, Carnaval, shows internacionais, eventos esportivos) na taxa de ocupação?
Grandes eventos têm impacto decisivo na taxa de ocupação da hotelaria carioca, funcionando como motores que impulsionam tanto a demanda turística quanto a receita do setor. Períodos como Réveillon e Carnaval seguem liderando os índices de ocupação, frequentemente próximos da lotação máxima, com visitantes de alto poder aquisitivo. Já shows internacionais e eventos esportivos de grande porte vêm ganhando relevância crescente, a ponto de reduzirem os efeitos da sazonalidade. Podemos dizer que hoje, no Rio, temos alta temporada o ano inteiro.
Como o setor avalia o calendário oficial de eventos da cidade?
Um calendário de eventos é um instrumento estratégico fundamental para impulsionar a demanda turística de forma distribuída ao longo do ano, pois gera previsibilidade e permite que o trade planeje ações comerciais, ajuste tarifas e estruture equipes. Um segmento que tem potencial de crescimento é o de eventos corporativos, pois dispomos de centros de convenções modernos, inclusive localizados em hotéis. E, geralmente, o turismo de negócios conta com um tíquete médio de maior valor.
Há diálogo suficiente entre setor hoteleiro e poder público para captação de eventos?
Temos um bom relacionamento com autoridades públicas e estamos em constante contato com elas para levar nossos pleitos, buscar alternativas que garantam melhores condições para nossos clientes e que proporcionem desenvolvimento para o segmento turístico, uma das molas propulsoras do nosso estado. Além disso, realizamos eventos em conjunto, como roadshows e capacitações. Esse diálogo é essencial.
Como a inflação e os custos operacionais têm impactado a hotelaria?
Aumento de custos e inflação exigem uma gestão cada vez mais rigorosa e eficaz dos hotéis, de forma a manter a competitividade sem repassar integralmente os reajustes ao consumidor. E os hotéis têm investido em tecnologias que reduzem desperdícios. Mas a carga tributária da hotelaria é grande, o que torna a concorrência com as plataformas de hospedagens ainda mais desigual.
Quais os planos que o senhor tem para crescer mais ainda o setor em 2026?
Como disse anteriormente, vamos continuar nossa atuação junto às autoridades para conseguir uma regulamentação para as plataformas de vendas de hospedagens, de forma a garantir uma competição justa. Também vamos atuar para incrementar o trabalho de promoção do Rio e do Brasil, além de lutar pela ampliação da malha aérea.
Quer receber esta e outras notícias diretamente no seu Whatsapp? Entre no nosso canal. Clique aqui.



