Nas lendas do futebol existem dois ditados que se complementam tanto que chegam a soar pleonasmo: “A bola pune” e “Quem não faz, leva”. Qualquer uma das expressões servem para resumir a eliminação do Brasil na Copa do Mundo ao ser derrotado nos pênaltis para a Croácia por 4 a 2 após empate em 1 a 1 na prorrogação.
A história revelou um final com requinte de crueldade. O Brasil deu 17 chutes a gol, sendo dez no gol, enquanto que a Croácia finalizou duas vezes e marcou o gol de empate faltando dois minutos para a acabar o jogo. O Brasil que goleou Coreia não merecia este resultado. Mas, talvez, o Brasil que perdeu para Camarões, sim.
O Brasil começou o jogo da maneira que se esperava, apostando na individualidade de Neymar e os pontas Vini JR e Raphinha. A questão é que do outro lado estava uma seleção completamente diferente dos coreanos. Com a frieza habitual, a seleção croata esfriava o jogo do Brasil com toque de bola refinado e contava com a segurança do bom goleiro Dominik Livakovic.
Além da frieza emocional quando estava em posse de bola, a seleção croata mostrava um intenso volume de marcação com seu meio-campo na hora de combater as jogadas do Brasil. Dois pontos antagônicos chamavam atenção. Enquanto o craque Luka Modric orquestrava com liberdade a seleção europeia, Lucas Paquetá não conseguia fazer o jogo do Brasil fluir da defesa para o ataque.
A insistência no primeiro tempo era de bola no Vini JR na esquerda, o que o Brasil já faz desde o início da Copa, o que talvez tenha feito cair no lugar comum. A seleção croata aproveitava o lado esquerdo descoordenado com Danilo improvisado e Vini JR o tempo todo acionado e subia seu lateral direito Juranovic como se não houvesse amanhã
Com o jogo do Brasil fluindo mais pelo lado esquerdo seria natural que as poucas chances no primeiro tempo saíssem por aquele lado. Mas o Brasil foi para o segundo tempo sem tirar do zero o placar e deixando atrás da orelha dos brasileiros uma senhora pulga.
O Brasil voltou para o segundo tempo muito mais disposto a colocar em campo a criatividade necessária para ultrapassar a disciplinada barreira croata. As chances apareceram mais do que no primeiro tempo, mas a qualidade do goleiro croata passou a falar ainda mais alto. O tempo passava.
Àquela altura a seleção croata começou a entender que se saísse daria muito campo a um Brasil que definitivamente via o jogo de forma diferente. A solução foi estacionar suas linhas no campo de defesa. Tite tirou Raphinha e colocou Anthony e tirou Vini JR e colocou Rodrygo. Peças novas, mas o mesmo esquema.
O garoto Rodrygo, com sua categoria de sempre, melhorou o jogo, principalmente por tentar revezar com Neymar as jogadas pelo meio, mas o Brasil ainda sentia falta de um meia de ligação de ofício, que tire o coelho da cartola.
Um pouco antes do fim do segundo tempo, Tite colocou Pedro no lugar de um Richarlison que parecia fora de sua melhor condição física. O atacante do Flamengo entrou bem, mas sem demonstrar nada especial. Vinha aí a prorrogação.
O primeiro tempo da prorrogação mostrou um Brasil que continuava insinuante, apostando também no lado direito com Anthony. A seleção croata tentava uma ou outra estocada. Nos acréscimos do primeiro tempo, individualidade, coletividade e gol. Golaço. Neymar veio com a bola dominada, tabelou com Rodrygo e com Paquetá e recebeu dentro da água para driblar o goleiro e abrir o placar.
No segundo tempo o técnico croata mexeu no time e veio do banco o golpe que deixou o Brasil grogue para a queda futura. Aos 11 minutos da prorrogação, em um contra ataque que poderia ter sido interrompido em sua raiz – lembrança do segundo gol da Bélgica em 2018 – a seleção croata chegou ao gol do empate com Petkovic. A bola bem chutada ainda contou com desvio em Marquinhos.
O Brasil foi para os pênaltis com a moral abalada, de quem chegou muito perto da vaga e acabou sem. Era preciso uma reviravolta mental para colocar o jogo nas mãos novamente. Do outro lado, uma seleção acostumada com prorrogações e disputas de pênaltis. Desta forma os croatas chegaram à final em 2018.
Há quem vá criticar o fato do Neymar, indiscutivelmente o melhor cobrador de pênaltis do Brasil, não ter começado a cobrança. Há quem coloque em dúvida a qualidade do goleiro Alisson por não ter pegado nenhum pênalti.
Mas o que há de fato é a seguinte narrativa: Os jogadores da Croácia bateram muito bem suas cobranças e o Brasil esbarrou na imperfeição da cobrança de Marquinhos, na trave, e a batida telegrafada de Rodrygo contra um goleiro que era o nome do jogo.
No fim do jogo, muito choro entre os jogadores que pareciam não acreditar no que acontecia. O balde de água fria pegou em cheio principalmente a garotada que tem na alegria o combustível do futebol. O técnico Tite, que já se despediu da seleção em entrevista coletiva, se retirou do campo logo após o fim da partida.
O hexa fica para 2026, quando garotos como Endryck, Matheus França, Angelo, Marcos Leonardo, integrantes da seleção sub-20, já serão realidade. Vini JR, Rodrygo, Anthony e outros poderão estar no auge. Que comece um novo ciclo.
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