O Galeão volta ao centro de polêmicas no Rio. Crédito: Divulgação
*Por Marcos Luz
A proposta de revisão do teto de passageiros do Aeroporto Santos Dumont merece ser tratada com cautela e responsabilidade. A experiência recente mostra que a limitação atualmente em vigor foi uma decisão assertiva, que contribuiu para reequilibrar o sistema aeroportuário do Rio de Janeiro e, por consequência, trouxe racionalidade ao setor aéreo nacional.
O Santos Dumont é um aeroporto estratégico, mas também fisicamente limitado e inserido em uma área urbana já extremamente saturada. A ampliação de sua capacidade não é uma medida neutra: tende a gerar impactos negativos relevantes, sobretudo no médio e longo prazo. O aumento do fluxo de passageiros pressiona a mobilidade urbana, sobrecarrega a infraestrutura viária e de serviços públicos do entorno e amplia gargalos logísticos que o Rio de Janeiro conhece bem. Não se trata apenas de conveniência operacional, mas de planejamento urbano e econômico.
Do ponto de vista do sistema aéreo, a expansão do Santos Dumont pode aprofundar distorções competitivas. Ao concentrar ainda mais voos em um aeroporto central, corre-se o risco de enfraquecer outras estruturas essenciais, reduzir a eficiência logística e comprometer a sustentabilidade do setor. O equilíbrio entre aeroportos não é um detalhe técnico: é condição para um mercado mais saudável, para tarifas mais racionais e para uma malha aérea mais resiliente.
Nesse contexto, é fundamental reafirmar o papel estratégico do Aeroporto Internacional do Galeão. O Galeão dispõe de ampla capacidade ociosa, infraestrutura moderna e localização adequada para operar como principal hub aéreo do estado e um dos mais relevantes do país. Direcionar esforços públicos para o seu fortalecimento é uma decisão que dialoga com o interesse coletivo e com uma visão de futuro.
O Galeão é peça-chave para a atração de investimentos, para o crescimento do turismo, para a geração de empregos qualificados e para a movimentação de cargas — elemento central para a competitividade econômica do Rio de Janeiro e do Brasil. Ignorar esse potencial, em favor de uma ampliação imediatista do Santos Dumont, é optar por um caminho curto, que pode cobrar um preço alto mais adiante.
Planejamento responsável exige olhar sistêmico. Manter o teto de passageiros do Santos Dumont não significa frear o desenvolvimento, mas organizá-lo. Significa reconhecer limites físicos e urbanos, preservar o equilíbrio aeroportuário e apostar no fortalecimento de ativos estratégicos que ainda estão subutilizados. O interesse público recomenda cautela, visão de longo prazo e compromisso com um modelo de crescimento mais eficiente e sustentável.
*Marcos Luz é presidente do Conexão Fluminense
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