Educação
Paralisação

Greve de funcionários do refeitório da UFF de Niterói afeta estudantes

Interrupção de serviço que garante alimentação a baixo custo para a comunidade acadêmica afeta orçamento de alunos e profissionais.

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11 de março de 2026
Greve de funcionários do refeitório da UFF de Niterói afeta estudantes
Fachada da UFF. Crédito: Divulgação

Por Marcos Vinicius Cabral

A greve de funcionários ligados ao Refeitório Universitário (RU) da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, está prejudicando diretamente os estudantes. A paralisação começou no dia 23 e até o fechamento desta matéria não havia previsão para resolução da questão.

Considerado um serviço essencial para a permanência estudantil, já que garante alimentação a baixo custo para a comunidade acadêmica, o RU interrompeu as atividades devido à adesão de servidores às mobilizações nacionais da categoria, que reivindicam melhorias nas condições de trabalho, recomposição salarial e mais investimentos na educação pública.

Uma das afetadas é a estudante Gabrielle Silva Cabral, de 19 anos, moradora de São Gonçalo, que cursa o segundo período de Letras no campus do Gragoatá. De acordo com a sua mãe, Raquel Silva Cabral, a greve mexe com a rotina da filha e com o lado financeiro da família.

“Eu não sei o motivo dessa greve. Mas ela causa impacto na vida dos estudantes e das famílias, já que sem o serviço, a minha filha tem que almoçar fora da universidade por um preço que foge ao nosso orçamento. Nem levar marmita ela pode, pois não tem geladeira no prédio em que ela estuda”, explicou.

Para minimizar efeitos do não funcionamento do RU, a administração da UFF disponibilizou duas novas linhas de ônibus para acesso ao Restaurante Popular de Niterói, com saídas todos os dias a partir das 11h da Cantareira e da Faculdade de Veterinária.

O CONEXÃO FLUMINENSE entrou em contato com a UFF para pedir uma explicação sobre a greve e recebeu a seguinte nota: “A Universidade Federal Fluminense (UFF) participa que já foram realizadas duas reuniões entre a Administração Central e o sindicato representante dos servidores técnico-administrativos (TAEs), com o objetivo de manter um canal permanente de diálogo e construir encaminhamentos sobre temas operacionais relacionados à greve das servidoras e dos servidores TAEs .

Um dos tópicos tratados é a manutenção de atividades essenciais, incluindo os serviços de alimentação no Restaurante Universitário (RU) e no Colégio Universitário Geraldo Reis (Coluni-UFF), entendidos, pela gestão universitária, como essenciais para a permanência e assistência estudantil e para a proteção de estudantes em situação de maior vulnerabilidade social.

Nesse sentido, foi proposta, pela gestão, a manutenção de ao menos um turno de refeições no RU para estudantes de políticas afirmativas e atendidos pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes), além da distribuição de refeições para moradia de Niterói e de gêneros para as moradias de Angra dos Reis e Rio das Ostras. A proposta ainda será debatida em assembleia pela entidade e a UFF espera que a continuidade do diálogo permita avançar nessa pauta.

A fim de mitigar os efeitos do fechamento do RU no início do semestre letivo, foram disponibilizadas, diariamente, a partir do dia 9 de março, no turno do almoço, duas linhas alternativas do BUSUFF (ônibus da UFF) com destino ao Restaurante Popular Jorge Amado. A iniciativa foi implementada em regime de urgência, para que estudantes possam utilizar o Restaurante Popular de Niterói, caso desejem, durante o período de diálogo e negociação com o Comando Local de Greve.

A paralisação dos servidores técnico-administrativos da UFF está inserida na mobilização nacional conduzida pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra). A UFF reafirma seu compromisso com o respeito às reivindicações apresentadas e com o direito de greve de trabalhadoras e trabalhadores, com a escuta responsável das representações da categoria e com a construção de soluções pactuadas, preservando direitos e garantindo a continuidade das atividades essenciais à comunidade universitária”.

Diante do caso, ainda não há previsão oficial para a normalização completa dos serviços no refeitório, enquanto as negociações entre trabalhadores e a administração da universidade continuam.


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