Agenda Gilsse Campos
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Coluna

Machado de Assis, uma vingança, a filha de Pedro I e os novos ricos

“É assim que a minha banda toca…”

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07 de janeiro de 2026
Machado de Assis, uma vingança, a filha de Pedro I e os novos ricos

…”estou comendo uma tapioca e compro uma cocada e depois sinto cheiro da picanha e conheço os irresistíveis Kevin, de cabelo roxo e o Jonathan, de cabelo louro…”

Fui curtir a imensa Feira da Glória, debruçada sobre a Praça Paris, o lugar mais chique da cidade. Na minha cabeça, eu iria virar personagem de Machado de Assis, no bairro onde nasceu Dona Maria da Gloria II, filha de Dom Pedro I e da Imperatriz Leopoldina.

Alí na Glória havia uma aldeia de índios Tupinambás, a Karióc, que deu origem ao nome carioca que foi atribuído aos habitantes da cidade. Era um lugar importante em 1560, palco de batalhas violentas, inclusive a que feriu o nosso fundador, o valente Estácio de Sá.

Família e amigos e zero ostentação, essa tem que ser a orientação de mais um ano desafiador nas nossas vidas!

Mas, a Feira da Glória me dá um choque de realidade e eu entro no balacobaco de roupas e chapéus misturados com tomates e bikinis do lado da barraca de pimentas e estou comendo uma tapioca quando compro uma cocada e depois sinto o cheiro de picanha que é o tipo da coisa irresistível quando você não está com fome e faço novas amizades com o Kevin, de cabelo roxo e com o Jonathan, de cabelo louro, que cada um pagou R$ 60,00 no barbeiro e dura 10 dias.

Quem quiser ir na Feira da Glória, vai na calma. Tenta concentrar. Esquece a História de Dom João VI, que passeava por alí e ía à Missa na Igreja da Glória. Tenta não comer cocada com tapioca. Enfim, me esquece e seja feliz.



O mundo é um moinho

O ano já começa com um babado forte: o dinheiro que os dois casais frequentadores do Gavea Golfe ganharam na Mega Sena. Um casal ganhou 50 milhões e o outro 75 milhões, porque a filha jogou também. Aliás, tudo o que envolve dinheiro é babado forte porque, de repente, os dois casais vão ter que assumir jatinhos, helicópteros, iates, imóveis fora do Brasil, casas em Angra dos Reis, motoristas e administradores, contadores, advogados, seguranças e psiquiatras e médicos. Eu nem estou falando sobre jogar no lixo tudo o que tem no armário. Rico tem OUTRA cabeça para se vestir.

É lógico que todos nós sabemos os nomes e sobrenomes do novos ricos da praça, mas nem o melhor paparazzi poderá alcançar qualquer um deles. Os bilionários de hoje adoram nadar com os cavalos numa praia a noroeste de Bali, ou andar de bicicletas na época da floração das cerejeiras, perto de Tóquio, Japão.

Aliás, quem tem cabeça, lembra sempre do Cartola que cantava: “a vida é um moinho.” E, quando um ano começa, é sempre bom lembrar que com a vida, não se brinca. Um dia você está ótimo, se sentindo rico e no outro está nas vascas da miséria. É simples: tem que estar sempre preparado para viver numa gangorra.

Por exemplo: a mãe do Donald Trump (Mary Anne) era faxineira e só folgava aos domingos. Igual à mãe do ator Kirk Douglas (Bryna Sanglel) e a mãe do ator Michael Caine (Ellen Maria), que criaram os filhos também como empregadas domésticas. Mulheres que jamais poderiam pensar que seus filhos iriam ficar tão ricos e famosos.

Eles eram tão pobres quanto o banqueiro Amador Aguiar (1904), que trabalhava numa lavoura de café em Ribeirão Preto e nem pode estudar, coitado. Ficou biliardário porque teve a idéia de abrir um Banco no interior, ou seja, longe das grandes cidades, um Banco para os trabalhadores como ele. E deu no que deu: Bradesco.

Junto com Amador Aguiar, surgiu uma mulher igualmente pobre (Josephine Esther – 1908), com 9 irmãos vivendo num estúdio em Nova Iorque, que inventou uma história maluca que sua família era aristocrata e rica na Europa e saiu vendendo um creme que seu tio fazia numa velha garagem do bairro. A mentira era tudo o que as clientes queriam acreditar e ela criou nomes e títulos falsos que abriram todas as portas para uma grife que hoje vale US$ 58 bilhões: Esthée Lauder.

Enquanto isso, em 1913, o Brasil exibia o seu Elon Musk: Eduardo Guinle, que tinha RS$ 24 bilhões na conta. Ele resolveu construir uma casa pra morar e fez o Palácio Laranjeiras, que hoje é a residência oficial do Governador do Estado do Rio de Janeiro. A família controlava o Porto de Santos e convivia com o poder instalado aqui, na capital federal. Com a mudança para Brasilia, a família perdeu a influência no mundo dos negócios e veio a falência.

Duas mulheres Mary Anne (faxineira – mãe do Donald Trump) e Gilda Rocha (filha de banqueiro – mãe de Jorginho Guinle) , jamais poderiam imaginar o futuro errático dos filhos. O primeiro ficou riquíssimo e o segundo morreu pobre.



A cidade do Rio de Janeiro sofreu um ato criminoso da arquiteta Lotta Macedo Soares que afastou da população a Baía de Guanabara para fazer o “democrático” Aterro do Flamengo, atravessado por perigosas pistas de velocidade. E ela aproveitou para anular a lindíssima praia de Botafogo cujo acesso foi criminosamente bloqueado por um transito infernal que não deveria ser colocado na beira do nosso cartão postal. Caímos nesse conto do vigário, o Aterro se tornou um tradicional lugar de assaltos e perdemos uma praia.

A vingança veio 65 anos depois. O empresário Alexandre Accioly forçou a presença da Praia de Botafogo no cenário do Natal da Cidade e alí colocou uma linda árvore de Natal de 30 metros. Com isso, ele pode ter começado um projeto de reurbanização do local, fazer um mergulhão em todas essas pistas, mandar esses arquitetos brasileiros estudarem fora do Brasil, e tentar corrigir um erro que levou a Baía de Guanabara e seu entorno a ser o local mais desvalorizado no Rio. Burrice e irresponsabilidade custam caro. PALMAS para Alexandre Acciolly.



EU APOSTO

  • Um assunto sem solução: a quantidade de pessoas atendidas com lesões oculares graves nos Hospitais Miguel Couto e Sousa Aguiar aumentou 350 por cento desde 2023. E isso não se pode evitar porque nem o FBI conseguiria controlar a quantidade de pomadas e cremes modeladores de cachos que surgem no mercado sem que os órgãos reguladores consigam organizar as devidas cautelas de uso. Com o calor e praia, os produtos escorrem para os olhos causando quadros de ceratite química, conjuntivites e até queimaduras da córnea, o que pode levar à cegueira temporária.
  • Um phone 17 custa meio salário-mínimo nos Estados Unidos. Em Portugal, custa 2 salários e aqui no Brasil, custa 9 salários-mínimos. Pena isso.
  • A Presidente da OAB-RJ, Ana Tereza Basílio comemorou o desempenho da Escola Superior de Advocacia do Rio de Janeiro ( ESA-RJ) e da Diretoria de Projetos Sociais, lideradas, respectivamente, pelos advogados João Quinelato e Vania Aieta, em 2025, que reafirmaram o compromisso institucional da seccional com a inclusão, a diversidade e o fortalecimento da advocacia.
  • É importante dar espaço para todas as notícias que circulem sobre a Justiça brasileira. O Brasil precisa de todos aqueles que passarem pela Escola Superior de Advocacia (ESA) do Rio de Janeiro, que atendeu, em 2025, 7565 alunos, com participação de profissionais de 27 unidades federativas. Desejo a eles toda a sorte do mundo porque o Brasil precisa de conhecimento técnico, mas também de gente comprometida com a valorização da advocacia.
  • Enfim, um evento imperdível, na próxima quarta-feira, dia 14/01: o lançamento do livro “Rio, capital do Brasil: ensaios sobre a capitalidade.” Organizada por Christian Lynch e Elizeu Santiago e publicada pelo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, a obra reúne ensaios de historiadores, cientistas políticos, gestores públicos e intelectuais que analisam o papel singular do Rio na história política, cultural e simbólica do país. O livro também destaca a centralidade da cidade no cenário contemporâneo, abordando inovações em áreas estratégicas e grandes eventos internacionais, como a RIO-92, as Olimpíadas de 2016, o G20 (2024) e a Cúpula dos BRICS (2025). O evento contará com a presença dos organizadores e autores, além de coquetel e distribuição gratuita de exemplares.

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