No Manguezal de Gargaú são encontrados os três tipos: vermelho, branco e preto. (Foto: Divulgação, Sema SFI)
Por Júlio César Barreto
Um dos maiores do Estado, o manguezal de Gargaú, em São Francisco de Itabapoana (SFI), no Norte Fluminense, é foco de projeto para abrigar uma unidade de conservação. A medida auxiliaria na preservação da diversidade de fauna e flora existente no local.
A localidade que abriga o manguezal é uma das que integram os cerca de 60km de litoral do município. SFI tem um limite com a cidade de Presidente Kennedy, no Espírito Santo, e outro com o Rio Paraíba do Sul, sendo que do outro lado da foz está São João da Barra.
É exatamente na interação da foz do rio com o Oceano Atlântico que está abrigado o mangue. Esta área é conhecida como estuário por haver a mistura da água doce e salgada. Outras características são que o ambiente é bem adaptável a inundação e à níveis de salinidade elevada.
“O de Gargaú é bem rico em diversidade. Nós temos os três tipos de mangue: vermelho, branco e preto. Neles temos basicamente tudo o que engloba o ecossistema de manguezal, diferentemente de outras regiões. Em SJB, por exemplo, não encontramos as três espécies com facilidade”, explicou o engenheiro sanitarista e ambiental, Jamilson Júnior.
Ele também considera que este seja “o manguezal mais rico em biodiversidade, tanto em fauna, quanto em flora”.
Atualmente, não existem dados exatos sobre o tamanho da área. Segundo Jamilson, que é técnico na Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), o município aguarda resultados de um levantamento da empresa responsável pela administração do Parque Eólico de Gargaú, o primeiro empreendimento do tipo em território fluminense. O estudo integra a série de condicionantes exigidas.
“Durante muitos anos, o manguezal de Gargaú foi o maior do Estado. Hoje não mais, embora ainda continuemos no top 5. Este ranqueamento varia bastante por diversos fatores. Na Baía de Guanabara, por exemplo, foram criadas unidades de conversação e outros mangues estão sendo recuperados”, analisou, reafirmando, no entanto, que em termos de qualidade e biodiversidade a maioria figura muito atrás do existente em SFI.
A reportagem questionou a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS) sobre a existência desses dados. O órgão disse somente que a “Reserva Biológica Estadual de Guaratiba, unidade de conservação administrada pelo Inea e situada na zona oeste do Rio, abriga um dos maiores manguezais do estado”. Seguindo o que foi comentado por Jamilson, a Seas complementou que, em Guaratiba, “neste ano, já foram restaurados 11 hectares de área de mangue e outros 220 hectares serão reflorestados”.
O avanço da urbanização, sobretudo, através da ocupação irregular, somada a exploração predatória do caranguejo e a extração ilegal de madeira são ações que provocaram degradações significativas no ecossistema no decorrer dos anos.
Já as áreas mais restritas, onde o acesso humano é difícil, a preservação é maior. “Ainda temos partes bem preservadas e íntegras, de uma beleza inquestionável”, observou Jamilson
O engenheiro ambiental explica que o ecossistema manguezal se mantém com base em “um sistema de multiplicação de espécies muito eficiente”, mas para isso é necessário que não haja interferência humana.
A secretária municipal de Meio Ambiente de SFI, Luciana Soffiati, explica que o órgão iniciou o processo para criar uma unidade conservação no manguezal de Gargaú. Ela explicou que a proposta foi documentada e encaminhada ao gabinete da prefeita Francimara Barbosa Lemos, que sinalizou positivamente. A próxima etapa acontece na Câmara Municipal, onde será necessário realizar uma audiência pública para apresentar a proposta à população.
“A medida também depende de submissão ao Governo do Estado. A Seas já foi comunicada e encaminhou um técnico e fotógrafo para realizar visita técnica e produzir um relatório. Na ocasião, a Sema acompanhou os agentes, que percorreram o manguezal com um barco”, esclareceu Luciana.
A Seas também foi questionada sobre investimentos em conservação e preservação em Gargaú. O órgão, por sua vez, não citou a proposta da unidade.
Antes mesmo do estabelecimento da unidade de conservação, ações da população consideradas simples e do dia a dia contribuem com a preservação do manguezal. O engenheiro ambiental Jamilson destaca o descarte correto do lixo, como também o respeito ao período de defeso do caranguejo e à vegetação.
“Não atrapalhando, já ajuda bastante. Tudo o que é descartado de maneira inadequada, em algum momento vai alcançar o oceano e, parte disso, será devolvido naquela região estuarina”, alertou.
Segundo Jamilson, preservar significa potencializar a capacidade do manguezal. Desta forma, seria possível fazer da unidade de conservação uma reserva extrativista, permitindo que os moradores da localidade sejam beneficiados economicamente, mas sempre a partir do uso sustentável.
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