*Por Professor Marcello Barbosa
O fenômeno do envelhecimento está cada vez mais presente no mundo atual, fruto do progresso das ciências em geral e, particularmente, da medicina, tanto no campo da cura quanto, principalmente, no campo da prevenção. A melhoria das condições de vida do ser humano e seu acesso à informação, também contribuíram para o aumento da sua expectativa de vida, o que nos remete ao desafio da busca do conhecimento necessário sobre os diversos mecanismos que possam ajudar a essa crescente população a ter uma vida de mais qualidade em todos os seus aspectos.
A relação entre envelhecimento, qualidade de vida e atividade física vem sendo cada vez mais estudada cientificamente. Os benefícios do exercício físico já estão bem definidos e comprovados na literatura: aumento da massa muscular e da massa óssea, reforço do sistema cardiovascular, prevenção da obesidade e redução da gordura corporal, modera o colesterol, melhora no sistema imunológico e prevenção de diversas doenças.
O esvaziamento das redes sociais comuns ao envelhecimento é considerado natural por alguns autores, na medida em que se associam nesta fase da vida a uma sucessão de dificuldades que tornam mais difícil a manutenção de relações sociais (Souza, Figueiredo e Cerqueira, 2004).
Parece sensato afirmar que a ampliação das redes sociais, promove um efeito positivo na saúde psicoemocional do idoso, colaborando substancialmente com sua capacidade de compreender e aceitar as alterações emocionais, sociais e fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento.
Inclusão digital consiste em disponibilizar para todas as pessoas, de modo igualitário, o acesso às tecnologias de informação e comunicação, melhorando a qualidade de vida da população impactada. Programas de atividade física combinados com inclusão digital para idosos ainda são pouco desenvolvidos tanto pelo Poder Público quanto pelo terceiro setor, o que resulta numa lacuna importante para a redução das mazelas e incapacidades decorrentes da senescência.
O Estatuto do Idoso prevê no Art. 21, que “o Poder Público criará oportunidades de acesso do idoso à educação, adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais a ele destinados”. Conforme o parágrafo primeiro deste artigo “os cursos especiais para idosos incluirão conteúdo relativo às técnicas de comunicação, computação e demais avanços tecnológicos, para sua integração à vida moderna”.
De acordo com o documento “Envelhecimento Ativo: um marco político em resposta à revolução da longevidade” (2015), promover a inclusão digital por meio do acesso à Internet e do treinamento pode ser uma forma de facilitar a participação de pessoas que foram excluídas da vida cívica. O documento ainda recomenda como uma das formas de promover a aprendizagem ao longo da vida a inclusão tecnológica: “reduzir a exclusão digital garantindo acesso e treinamento adaptado às necessidades específicas das pessoas de todas as idades que estejam sujeitas ao risco de exclusão”.
Portanto, assim como o acesso à atividade física orientada, a inclusão digital para idosos é uma necessidade urgente para a sociedade atual, fundamental para sua saúde mental e qualidade de vida, ampliando suas possibilidades de comunicação e de relacionamento com a família, amigos e com a comunidade.

*Marcello Barbosa, Subsecretário de Esportes RJ, é Professor de Educação Física e Mestre em Projetos Sociais e Intervenção Socioeducativa.
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