*Por Pedro do Livro
Se engana quem pensa que o Bolsa Família é uma política que serve apenas para criar pessoas dependentes ou “encostadas”. Para milhões de brasileiros, a transferência de renda significa sobrevivência, dependem dela para colocar a comida na mesa, comprar um medicamento, poder manter os filhos na escola e enfrentar momentos de dificuldade com um pouco de dignidade.
No subúrbio do Rio, não é diferente, muitas famílias convivem diariamente com a falta de acesso ao básico para viver, e para elas o programa tem importância decisiva entre ter ou não o que comer. Se fôssemos analisar somente por esse aspecto, poderíamos dizer que o Bolsa Família já seria vitorioso, mas o seu papel não para por aí, o dinheiro que chega para as famílias é o mesmo que vai circular pelos bairros, nos mercados, farmácias, entre os pequenos comerciantes, ajudando também a movimentar as micros economias locais e contribuindo para que esses ambientes possam prosperar.
Não à toa, o Bolsa Família é uma política de transferência de renda reconhecida mundialmente, tendo sido estudada por mais de 40 países pela sua eficiência e baixo custo administrativo, tendo permitido que o nosso país pudesse registrar avanços históricos em seus índices de desenvolvimento social.
Isso porque o programa foi desenhado para exigir contrapartidas reais, como frequência escolar e vacinação em dia, dessa forma ela ajuda não só no combate a fome, mas cria condições para que crianças e jovens estudem, ajuda a reduzir a mortalidade infantil e permite que famílias tenham proteção nos momentos mais difíceis.
Uma sociedade que busca oferecer oportunidades precisa garantir que ninguém seja obrigado a deixar de comprar um remédio ou estudar para poder se alimentar. Por isso, discutir o futuro do Bolsa Família é também discutir que país queremos construir: um país que aceita a miséria ou que trabalha para reduzi-la.
Defender a transferência de renda é defender que a situação em que uma pessoa nasceu ou se encontra não determine até onde ela possa chegar. Entretanto sabemos que uma política não se faz sozinha, educação, saúde, qualificação profissional, emprego e outras políticas precisam andar juntas para que oportunidades existam de fato.
No dia 4 de outubro, o eleitor escolherá seus representantes para a Câmara dos Deputados, para a Assembleia Legislativa e para governar o Brasil nos próximos quatro anos. É fundamental conhecer as propostas e os posicionamentos dos candidatos e avaliar quais estão realmente comprometidos com políticas públicas voltadas à redução da desigualdade e à ampliação de oportunidades, sobretudo para quem mais precisa.
Pedro do Livro lidera a Imprensa da Cidade do Rio de Janeiro e é o criador da Biblioteca A Casa Amarela.

Pedro do Livro lidera a Imprensa da Cidade do Rio de Janeiro e é o criador da Biblioteca A Casa Amarela.
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