A Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), lançou nesta segunda-feira (14), na sede da federação, no Centro do Rio de Janeiro, a Agenda Nuclear para um Brasil Competitivo. A iniciativa inaugura uma série de encontros que pretende inserir a tecnologia nuclear no centro das discussões sobre desenvolvimento econômico, competitividade industrial, saúde, inovação, segurança energética e soberania nacional.
O evento reuniu representantes da indústria, especialistas e autoridades, entre eles o presidente da ABDAN, Celso Cunha; a vice-presidente da entidade, Sibila Grallert; o deputado federal e presidente da Frente Parlamentar Mista da Tecnologia e Atividades Nucleares, Julio Lopes; além dos deputados federais Reimont e Daniel Sonraz.
Durante a abertura, Celso Cunha afirmou que o Brasil reúne condições para ampliar sua participação no mercado global da cadeia nuclear, mas destacou que isso depende de avanços regulatórios, investimentos e planejamento de longo prazo. “A tecnologia nuclear está presente em áreas essenciais para a sociedade, como saúde, energia, agricultura, indústria e pesquisa. A Agenda Nuclear para um Brasil Competitivo nasce justamente para ampliar esse debate e contribuir com propostas concretas para o desenvolvimento nacional”, afirmou o presidente da ABDAN.
Ao longo de sua apresentação, Cunha defendeu a regulamentação da mineração de urânio, a ampliação da capacidade de produção de combustível nuclear, a conclusão das obras de Angra 3 e maior participação da iniciativa privada no setor. Também ressaltou a importância do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) para reduzir a dependência do país na produção de radioisótopos utilizados na medicina nuclear e ampliar o acesso ao tratamento oncológico.

A vice-presidente da ABDAN, Sibila Grallert, concentrou sua apresentação na aplicação da tecnologia nuclear na saúde pública, especialmente no diagnóstico e tratamento do câncer. Segundo ela, o aumento da incidência da doença torna urgente a ampliação da produção nacional de radioisótopos. “O tema da saúde precisa ocupar um lugar central nessa agenda, ao lado da competitividade industrial e da segurança energética. Investimento consistente e governança contínua não são apenas questões técnicas; são a condição para que o Brasil reduza sua dependência externa justamente na área em que essa dependência tem custo mais direto para a população: a saúde”, ressaltou a vice-presidente.
Sibila também destacou o papel do Reator Multipropósito Brasileiro, em construção no interior de São Paulo, como peça estratégica para garantir autonomia na produção de insumos utilizados diariamente em exames e tratamentos oncológicos. Ela defendeu que o financiamento e a governança do setor sejam tratados como política de Estado, com previsibilidade orçamentária e continuidade entre diferentes governos.
Presidente da Frente Parlamentar Mista da Tecnologia e Atividades Nucleares, o deputado federal Julio Lopes afirmou que a expansão da matriz nuclear será fundamental para atender à crescente demanda energética do país, impulsionada por setores como os centros de processamento de dados (data centers). “Se a gente fizer o nosso dever de casa e implementar os data centers, nós vamos obrigatoriamente ter que ter muita energia firme disponível. A energia nuclear é a que mais se justifica e a que melhor deve ser adotada.”
O parlamentar também afirmou estar otimista quanto ao avanço de projetos envolvendo pequenos reatores modulares (SMRs) e à possibilidade de parcerias entre Petrobras e o setor nuclear para aplicações na indústria de petróleo e gás.
Segundo a ABDAN, a Agenda Nuclear para um Brasil Competitivo será permanente e reunirá, nos próximos meses, especialistas, representantes da indústria, formuladores de políticas públicas e lideranças nacionais para discutir propostas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva nuclear brasileira e ao aproveitamento estratégico dos ativos tecnológicos, industriais e minerais do país.
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