*Por Pedro do Livro
Esta semana, a Mangueira viu uma barricada pegar fogo. E o pior: uma criança foi ferida em plena luz do dia. A pergunta que fica é: até quando vamos aceitar isso como normal?
Segurança tem que servir para uma coisa: fazer quem mora no Rio se sentir seguro.
Tem lugar em que a polícia vai precisar entrar e retomar o território do tráfico, sim. Mas isso precisa ser feito com inteligência, planejamento e responsabilidade. Uma operação de segurança não pode ignorar que, dentro desses territórios, existem famílias, crianças, idosos, trabalhadores e pessoas que só querem viver em paz.
Eu acredito que segurança e projeto social precisam caminhar juntos.
Essa é uma das melhores formas de sufocar o tráfico de drogas: levar para dentro dos bairros aquilo que o crime não oferece como oportunidade, conhecimento, cultura, educação e perspectiva de futuro.
É segurança com inteligência e projeto social dentro dos bairros.
Porque não basta combater o crime. Precisamos também impedir que crianças cresçam cercadas pela violência e sem alternativas.
Eu escolhi os livros porque acredito que eles podem abrir caminhos onde muitas vezes só existem muros.
Mas não podemos fechar os olhos para o que acontece do outro lado.
Enquanto uma criança de 6 anos é ferida por causa da violência, todos nós precisamos perguntar: que cidade estamos construindo para nossas crianças?
De um lado, livros.
Do outro, violência.
Eu escolho os livros.
Sempre.
Mas também escolho cobrar segurança, inteligência e políticas públicas capazes de proteger quem mais precisa.
Porque uma criança ferida não pode ser apenas mais uma notícia.
Criança precisa de livro aberto, escola, cultura, segurança e futuro. Não de barricadas em chamas, medo e tiros.

Pedro do Livro lidera a Imprensa da Cidade do Rio de Janeiro e é o criador da Biblioteca A Casa Amarela.
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