o exercício físico, especialmente o treinamento de força, tem sido amplamente investigado como estratégia não farmacológica de suporte ao tratamento oncológico Crédito: Reprodução
*Por PHD Rogerio Vilela de Abreu Pereira
Introdução
O câncer representa um importante problema de saúde pública mundial, sendo caracterizado pelo crescimento desordenado de células que podem invadir tecidos e órgãos. Os tratamentos oncológicos, como quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia, apesar de essenciais para o controle da doença, frequentemente acarretam efeitos colaterais como fadiga, perda de massa muscular, redução da capacidade funcional, alterações metabólicas e comprometimento da qualidade de vida. Nesse contexto, o exercício físico, especialmente o treinamento de força, tem sido amplamente investigado como estratégia não farmacológica de suporte ao tratamento oncológico (Schmitz et al., 2010).
Impactos do Câncer e do Tratamento na Função Muscular
Pacientes com câncer frequentemente apresentam sarcopenia, perda de força muscular e diminuição da densidade mineral óssea, condições que podem ser agravadas pelo repouso prolongado e pela toxicidade dos tratamentos (Mustian et al., 2017). A redução da massa muscular está associada a pior prognóstico, maior fadiga e menor tolerância às terapias oncológicas, reforçando a necessidade de intervenções que preservem o sistema musculoesquelético (Argilés et al., 2014).
Treinamento de Força e Manutenção da Massa Muscular
O treinamento de força é eficaz na preservação e no aumento da massa muscular em pacientes oncológicos, mesmo durante o tratamento. Estudos demonstram que programas supervisionados de exercícios resistidos promovem ganhos significativos de força muscular e atenuam a perda muscular induzida pelo câncer e seus tratamentos (Schmitz et al., 2010). Esses efeitos contribuem para a manutenção da autonomia funcional e redução do risco de quedas.
Redução da Fadiga Relacionada ao Câncer
A fadiga relacionada ao câncer é um dos sintomas mais prevalentes e incapacitantes nessa população. Evidências científicas indicam que o treinamento de força, isolado ou combinado com exercícios aeróbios, é capaz de reduzir significativamente os níveis de fadiga, superando inclusive intervenções farmacológicas em alguns casos (Mustian et al., 2017). A prática regular melhora a eficiência neuromuscular e a capacidade funcional global, refletindo positivamente no cotidiano do paciente.
Melhora da Qualidade de Vida e Saúde Mental
Além dos benefícios físicos, o treinamento de força promove melhorias importantes na qualidade de vida, autoestima e saúde mental dos pacientes com câncer. A prática do exercício está associada à redução de sintomas de ansiedade e depressão, comuns durante e após o tratamento oncológico (Courneya & Friedenreich, 2011). O sentimento de controle sobre o próprio corpo e a retomada da funcionalidade contribuem para o bem-estar psicológico.
Segurança e Prescrição do Treinamento de Força
Quando devidamente prescrito e supervisionado por profissionais capacitados, o treinamento de força é considerado seguro para pacientes com câncer em diferentes fases do tratamento e da recuperação. Recomendações do American College of Sports Medicine (ACSM) indicam a realização de exercícios resistidos de 2 a 3 vezes por semana, com intensidade progressiva e individualizada, respeitando limitações clínicas, efeitos colaterais e o estágio da doença (ACSM, 2019).
Considerações Finais
O treinamento de força configura-se como uma intervenção segura e eficaz no cuidado integral do paciente com câncer. Seus benefícios incluem a preservação da massa muscular, redução da fadiga, melhora da capacidade funcional e da qualidade de vida, além de impactos positivos na saúde mental. Dessa forma, a inclusão do exercício resistido nos programas de reabilitação oncológica deve ser incentivada, sempre com acompanhamento multiprofissional e prescrição individualizada.
Referências Bibliográficas
AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE (ACSM). ACSM’s Guidelines for Exercise Testing and Prescription. 10. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2019.
ARGILÉS, J. M. et al. Cancer cachexia: understanding the molecular basis. Nature Reviews Cancer, v. 14, n. 11, p. 754–762, 2014.
COURNEYA, K. S.; FRIEDENREICH, C. M. Physical activity and cancer. Berlin: Springer, 2011.
MUSTIAN, K. M. et al. Comparison of pharmaceutical, psychological, and exercise treatments for cancer-related fatigue: a meta-analysis. JAMA Oncology, v. 3, n. 7, p. 961–968, 2017.
SCHMITZ, K. H. et al. American College of Sports Medicine roundtable on exercise guidelines for cancer survivors. Medicine & Science in Sports & Exercise, v. 42, n. 7, p. 1409–1426, 2010
*Rogerio Vilela, PhD em Treinamento Desportivo e Educação, é professor da Universidade Cândido Mendes. Ele escreve ao ser convidado por Marcello Barbosa.
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