Categorias: Conexão Contábil

Mulher no setor contábil

Ilan Renz
Vice-presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina do CRC-RJ

Não é de hoje que a mulher brasileira encara obstáculos desproporcionais quando o assunto é carreira. A demora para a conquista de direitos básicos no mercado de trabalho, o reconhecimento de jornadas que ultrapassam o expediente, a maternidade como um fator decisivo em entrevistas de emprego e a desigualdade salarial são alguns dos grandes problemas que assolam até hoje a realidade de muitas mulheres em todas as áreas.

Na contabilidade, profissão reconhecida como masculina, não é diferente. Aliás, qualquer área que demande pensamento analítico não é reconhecida como algo para mulheres, fruto do preconceito de que nós somos seres impulsionados pela emoção e incapazes de atribuir razão a muitos elementos da nossa vida, seja pelo ‘instinto feminino’, ‘maternal’ ou por uma questão puramente ‘hormonal’.

Na física, matemática, engenharia, contabilidade e em todas as áreas que um dia disseram que não eram para nós, provamos que não apenas somos capazes de ocupar nossos espaços, como também revolucionamos uma dinâmica que é perpetuada há anos: a de que, como todos, também somos feitas para isso.

A contabilidade, para além do estudo técnico, é também uma área do conhecimento humano. Para muito além de débito e crédito e de resultado, ela é também a área da esperança no próximo passo e da organização para que tenhamos perspectivas melhores. E quem melhor para analisar todas as frentes do que quem entende das adversidades?

“Que as mulheres contabilistas tenham o mérito pelos cargos que ocupam, pela trajetória acadêmica e profissional que possuem e pelas escolhas pessoais que fazem”.

Ilan Renz, vice-presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina do CRC-RJ

A educação formal, que é o que nos equipara tecnicamente aos homens, precisa de mulheres que ensinem outras mulheres, o que vai além dos livros. No mercado de trabalho, não basta estarmos inseridas se os cargos de liderança não são designados a nós. E quando são, jamais serão justos se o salário for abaixo do colega masculino.

Desde 1991, o Conselho Federal de Contabilidade promove o Encontro Nacional da Mulher Contabilista, uma maneira de lembrarmos da luta da mulher no setor e de todas as conquistas nesse tempo. Hoje, nosso maior desafio é manter essa lembrança para que as futuras gerações tenham a força e inspiração para conquistar seus espaços.

Que as mulheres contabilistas tenham o mérito pelos cargos que ocupam, pela trajetória acadêmica e profissional que possuem e pelas escolhas pessoais que fazem. Que sejamos mães, analistas, consultoras, empresárias, contadoras, o que quisermos, cultivando um ecossistema de apoio para que, assim, a gente construa junto uma rede sólida para as futuras gerações femininas do Brasil.


A Coluna Conexão Contábil é produzida com material enviado pelo Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro.

Posts Recentes

Prefeitura do Rio divulga resultado final do 3º edital do ISS Neutro

A Prefeitura do Rio de Janeiro divulgou o resultado final do terceiro edital do Programa…

11 horas atrás

Arraial do Cabo lidera dependência do petróleo no Brasil

Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, é o município brasileiro com maior dependência econômica…

11 horas atrás

SAMU Mesquita lidera ranking regional de excelência em 2025

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Mesquita alcançou o primeiro lugar no…

11 horas atrás

Iata Anderson

*Por Paulo Marinho Infelizmente, Iata Anderson não está mais por aqui. Mas, quero pedir desculpas…

12 horas atrás

Policlínica da Cidadania supera 129 mil atendimentos em 2025

A Policlínica da Cidadania Bernardino de Souza, localizada no Estádio Raulino de Oliveira, em Volta…

12 horas atrás

Cariocão tem Maricá querendo fazer história e Fla de olho no tri

Se o charme de outrora não é mais tão evidente, não faltam ingredientes para quem…

2 dias atrás