Na capital federal as derrapadas da moral
Moral adormecida, falta de empatia ou simplesmente escárnio? Difícil responder quando essa pergunta é feita com base no Brasil contemporâneo. Recentemente noticiado pelo Estadão soubemos do caso de dois conselheiros aposentados do Tribunal de Contas do Estado de Roraima (TCE-RR), condenados por desvio de dinheiro público, que receberam R$ 1,1 milhão da Corte em outubro do ano passado. Marcus Rafael de Hollanda Farias e Henrique Manoel Fernandes Machado receberam, respectivamente, R$ 721 mil e R$ 381 mil, em valores referentes a vendas de folgas. Como classificar isso?
Gim, vodca, Campari, uísque constam das licitações do Planalto com custo estimado em R$ 16 milhões e qual foi a justificativa da Presidência: Levamos em consideração critérios de harmonia, elegância e segurança institucional. Pois é, só esqueceram do critério moral e da economicidade.
Nesse processo de sono moral coletivo, o STF não ficarei por baixo é claro afinal, são supremos e tem gosto mais refinado preferem lagosta e vinhos para acompanhar bobó de camarão, camarão à baiana e medalhões de lagosta; não poderia esquecer que os vinhos devem ter ganhado premiações internacionais. Talvez a bebida seja necessária para manter embebedada a moral desses. No Judiciário temos o escarnio na sua forma mais profunda, salários de semideuses, que em muito superam os dos demais servidores e da iniciativa privada.
A imprensa também tem dorme um sono cúmplice pois advoga em rede nacional as a causa desses escarnecedores e opressores, ancoras trocando mensagens com ministros do STF que somente deveriam falar nos autos mais agora falam no meio de programas de apologia ao governo atual e busca pela destruição da oposição. Uma militância sem disfarce tenta adormecer a moral do povo.
De outro lado, professores, médicos trabalham em três quatro empregos em alguns casos sem ar-condicionado, sem nem um cafezinho sequer para no final ao se aposentarem recebem na média 27% do valor de aposentadoria de membros do judiciário. Acorda Brasil.
Professor Hélvio Costa é jurista e professor universitário
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