Opinião

Proteja-se da dengue: Quem deve tomar a vacina e como funciona?

*Por Flávio Cure

Nos últimos meses, observamos um aumento significativo nos casos de dengue em diversas regiões, gerando preocupação entre especialistas e a população. Diante desse cenário, a vacinação se apresenta como uma estratégia fundamental para reduzir a incidência da doença e suas complicações. No entanto, nem todos podem ou devem receber a vacina. Afinal, quem está apto à imunização e quais são as opções disponíveis?

Público-alvo da vacinação

A vacina Dengvaxia (CYD-TDV), desenvolvida pela Sanofi Pasteur, é recomendada para crianças e adolescentes entre 6 e 16 anos que residem em áreas endêmicas e que já tiveram infecção prévia confirmada pelo vírus da dengue. Essa restrição ocorre porque a imunização de pessoas sem contato anterior com o vírus pode, paradoxalmente, aumentar o risco de desenvolver formas mais graves da doença em futuras infecções. Esse fenômeno é conhecido como potencialização dependente de anticorpos, uma resposta imune inadequada que pode levar a quadros mais severos da enfermidade. Por isso, antes da vacinação, é essencial realizar exames sorológicos para confirmar a infecção anterior.

Nos Estados Unidos, essa vacina foi aprovada para territórios como Samoa Americana, Porto Rico e as Ilhas Virgens Americanas, além de países e estados associados, como os Estados Federados da Micronésia, a República das Ilhas Marshall e a República de Palau. Nessas regiões, a dengue é uma ameaça constante e os esforços de imunização são direcionados para a população que já teve contato prévio com o vírus.

Já a vacina TAK-003, desenvolvida pela farmacêutica Takeda, apresenta um perfil diferente. Com estudos clínicos que demonstraram sua eficácia independentemente da exposição prévia ao vírus, essa vacina foi aprovada em países como Brasil, Argentina, Indonésia, Tailândia, Reino Unido e na União Europeia. Esse imunizante se mostra promissor por conferir proteção sustentada contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, tornando-se uma alternativa viável para populações mais amplas.

Estratégias de vacinação e desafios

A implementação da vacinação contra a dengue exige planejamento e critérios rigorosos. No caso da Dengvaxia, a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que haja triagem sorológica prévia para evitar a vacinação de indivíduos soronegativos. Contudo, essa exigência pode dificultar a adesão ao programa vacinal, pois os testes sorológicos nem sempre são amplamente disponíveis ou acessíveis.

Para melhorar a cobertura vacinal, alguns países estudam a adoção de programas de vacinação escolar, que poderiam facilitar a triagem e o acompanhamento das crianças elegíveis para a imunização. No Brasil, a distribuição da TAK-003 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pode ampliar significativamente o alcance da vacinação e reduzir os impactos da dengue na saúde pública.

Outro desafio no combate à dengue é a necessidade de proteção contra os quatro sorotipos do vírus. A dengue apresenta um comportamento epidemiológico cíclico, com surtos recorrentes que variam conforme a predominância de cada sorotipo em determinada região. Assim, uma vacina eficaz deve garantir resposta imune duradoura contra todos eles, evitando casos graves e hospitalizações.

Vacinação para viajantes

Muitas pessoas que viajam para regiões tropicais e subtropicais se preocupam com a dengue e buscam a imunização como forma de prevenção. No entanto, a Dengvaxia não é recomendada para viajantes que não residem em áreas endêmicas, pois a maioria deles é soronegativa e, consequentemente, não se beneficiaria da vacinação. Por isso, a melhor estratégia para turistas continua sendo a adoção de medidas preventivas, como o uso de repelentes, roupas de manga longa e a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti.

Expectativas para o futuro

Além das vacinas já aprovadas, outras candidatas estão em desenvolvimento. A TV-003/005, por exemplo, encontra-se em fases avançadas de ensaios clínicos e promete oferecer proteção abrangente contra os diferentes sorotipos da dengue. A evolução das pesquisas traz esperança para um controle mais eficaz da doença no futuro.

Enquanto novas vacinas não são amplamente distribuídas, é essencial reforçar as estratégias de combate ao mosquito transmissor, incluindo campanhas de conscientização, eliminação de focos e o uso de inseticidas em áreas de maior risco. A vacinação, quando bem direcionada, é uma poderosa aliada, mas deve ser combinada a outras medidas para que a luta contra a dengue seja realmente eficaz.


Flávio Cure Palheiro é cardiologista, coordenador do Centro de Estudos do Hospital Copa Star.

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