Com queda expressiva na mortalidade, Brasil amplia testagem e adesão ao tratamento. (Foto: Divulgação)
No mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais, o Ministério da Saúde lançou a campanha nacional “Um teste pode mudar tudo” para reforçar a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento da doença. O lançamento coincide com a divulgação do novo Boletim Epidemiológico, que aponta avanços significativos no combate às hepatites no Brasil. O Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, registrou uma redução de 76,5% nas mortes por hepatite C entre 2014 e 2024 — de 303 para 71 óbitos. No mesmo período, os óbitos por hepatite B caíram 55,8%, de 43 para 19.
Apesar da redução na mortalidade, os dados reforçam a necessidade de ampliar a testagem, especialmente nos casos de hepatite B, que ainda não tem cura, mas pode ser controlada com medicamentos e vacinação. “Temos vacinas, testes e tratamentos disponíveis no SUS. Por isso, quero chamar a atenção da população para a importância do diagnóstico precoce”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O boletim indica que, em todo o país, entre 2014 e 2024, os óbitos por hepatite B caíram 50%, e os de hepatite C, 60%. Entre crianças menores de 10 anos, a redução nos casos de hepatite A foi de 99,9%. Também houve queda de 55% na detecção de hepatite B em gestantes e de 38% nos casos em crianças menores de cinco anos.
Para acompanhar e reforçar a resposta à doença, o Ministério da Saúde lançou uma plataforma inédita de monitoramento, que detalha, por estado e município, quantas pessoas foram diagnosticadas, quantas iniciaram o tratamento e qual o tempo médio do cuidado. No Rio de Janeiro, 1.279 pessoas iniciaram tratamento para hepatite C em 2024, das 1.814 com indicação. Já para hepatite B, 1.909 pacientes iniciaram acompanhamento, entre 4.797 com recomendação.
A meta é dobrar o número de pessoas em tratamento para hepatite B e alcançar 80% de cobertura, conforme orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Além da testagem gratuita em Unidades Básicas de Saúde (UBS), o SUS oferece vacinação para hepatites A e B, medicamentos para os tratamentos e preservativos como medidas de prevenção. A vacina contra hepatite A é aplicada em dose única aos 15 meses de idade, com esquema especial disponível para pessoas com condições clínicas específicas. Já a vacina contra hepatite B faz parte do calendário infantil e também está disponível para adultos não vacinados.
Com os avanços, o Ministério da Saúde lançou ainda o Guia de Eliminação das Hepatites Virais, que orienta ações locais e reconhece municípios com boas práticas. Até o momento, 18 cidades já receberam selos nas categorias Ouro, Prata ou Bronze.
A campanha “Um teste pode mudar tudo” reforça que a eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública é possível — desde que haja engajamento da população e continuidade das políticas públicas de prevenção, diagnóstico e tratamento.
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