A atividade física relacionada à saúde, aparece como um dos fatores que poderia modificar a prevalência do aparecimento de doenças
*Por Marcello Barbosa
O envelhecimento pode ser conceituado como um processo dinâmico e progressivo, no qual ocorrem modificações morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas que propiciam progressiva perda da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos. Assim como Costa (2000) ao defini-lo como “processo segundo o qual, o organismo biológico, tal como o corpo humano, existe no tempo e muda fisicamente, sendo que da senescência resulta um aumento da vulnerabilidade e a probabilidade de morte”.
Os sinais de deficiências funcionais vão aparecendo de maneira discreta no decorrer da vida, sendo chamados de senescência, sem comprometer as relações e a gerência de decisões. Em condições basais, o idoso não apresenta alterações no funcionamento ao ser comparado com o jovem. A diferença manifesta-se nas situações as quais se torna necessária a utilização das reservas homeostáticas, que, no idoso, são mais fracas.
Além disso, todos os órgãos ou sistemas envelhecem de forma diferenciada, tornando a variabilidade cada vez maior (Moraes et al., 2010).
Inúmeras evidências científicas demonstram que o hábito da prática de atividades físicas se constitui não só instrumento fundamental em programas voltados à promoção de saúde, inibindo o aparecimento de muitas das alterações orgânicas que se associam ao processo degenerativo, mas também, na reabilitação de determinadas patologias que contribuem para o aumento dos índices de morbidade e mortalidade.
A inatividade física leva a uma diminuição cardíaca e pulmonar, aumento de gordura corporal, diminuição da massa muscular e óssea. Como o aumento da gordura corporal ocorre na mesma época que o volume de massa muscular e óssea começa a diminuir, gera uma queda na taxa metabólica e uma predisposição ao aumento de gordura corporal. Com o passar dos anos, esse acúmulo de gordura prejudica a saúde, pois está associada também a inúmeras doenças crônicas.
Desta forma, a atividade física relacionada à saúde, aparece como um dos fatores que poderia modificar a prevalência do aparecimento de doenças, na medida em que existem muitas evidências da melhoria do sistema imunológico de pessoas ativas.
No âmbito dos exercícios físicos, há evidências de que o treinamento de força induz a melhorias na função e estrutura muscular, articular e óssea, bem como metabólica e cardiovascular, favorecendo aspectos importantes para a saúde e qualidade da vida dos idosos, por exemplo a manutenção da aptidão funcional e o controle de peso corporal. Essa melhoria tem sido associada a vários fatores favoráveis a uma melhor qualidade de vida no idoso, como ganho de força muscular e de massa óssea e desempenho mais eficiente das articulações, constituindo-se em importante fator de prevenção de quedas e outros acidentes.
Relativamente aos aspectos mentais e cognitivos, os exercícios resistidos apresentam efeitos neuroprotetores significativos, contribuindo para a preservação da função cognitiva e melhoria do bem-estar psicológico. A prática regular de musculação também demonstra impactos positivos na autoestima e percepção de autoeficácia, fatores determinantes para o envelhecimento bem-sucedido (Souza, 2025)
A literatura científica demonstra que os exercícios resistidos (de força) devem ser incluídos no planejamento de programas de atividades físicas voltadas para a promoção da saúde de indivíduos de qualquer faixa etária e condições clínicas, além de exercícios que desenvolvam a capacidade aeróbia e flexibilidade, desde que o treinamento seja adequadamente prescrito e acompanhado por profissionais habilitados.
É imperativo também que os idosos tenham conhecimento tanto das transformações inerentes ao envelhecimento quanto dos inúmeros benefícios que o exercício físico associado a uma vida mais ativa pode proporcionar, em termos de saúde, autonomia e em relação a diversos aspectos psicossociais. Esse conhecimento prévio o levará, além da escolha dos seus modos de vida e da responsabilidade pelos seus atos, a uma apropriação de direito que é a maior participação na transformação social, da qual eles são os atores principais. Se o envelhecimento da população convida a medidas de prevenção, essas medidas devem passar pelas informações das pessoas interessadas e também pela sua participação, o que pressupõe que as motivemos suficientemente. E esse é um dos papéis fundamentais do Profissional de Educação Física.
*Marcello Barbosa, Subsecretário de Esportes RJ, é Professor de Educação Física e Mestre em Projetos Sociais e Intervenção Socioeducativa.
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