Nas entrelinhas da notícia

O câncer é a reeleição e a vitaliciedade nos tribunais superiores

*Por Professor Hélvio Costa

Se fosse fazer um diagnóstico no estado brasileiro com o objetivo de entender por que temos tantos legisladores e chefes de executivo medíocres sem medo de errar apontaria como causa maior dessa mazela nacional o instituto da reeleição, combinada com a vitaliciedade dos tribunais superiores e suas indicações político-fraternas.

A possibilidade da reeleição tira a igualdade do processo eleitoral pois quem busca a reeleição já possui disponibilidade financeira auferida durante o mandato, ou seja, verbas de gabinete, passagens, assessorias e emendas. E, a cada mandato maior é será essa capacidade financeira, que não será a mesma de alguém que disputa pela primeira vez.

O mandato eleitoral não deve ser eterno, pois tiramos de outros cidadãos que talvez sejam melhores na gestão da coisa pública ou melhores legisladores que os eternos, possibilidade de servir a República. Clãs familiares que se perpetuam a sugar nas tetas pública a séculos.

A reeleição vicia, não raro temos exemplos de jovens (filhos, sobrinhos, companheiros, netos…) que entram na política aos 18 anos e morrem fartos de dias como políticos. Mandato político não pode ser eterno, repito sob pena de eternizar por uma vida, vícios individuais que tal como vírus contaminam a todos.

A necessidade de reeleição faz com que políticos esqueçam suas convicções e passem a ser pessoas completamente diferentes daquelas nas quais votamos anteriormente. O que justifica 7,8,9 mandatos, o que não foi feito durante o primeiro que será feito no terceiro, quarto que nova promessa será feita para ser descumprida.

Da mesma forma, os ministros dos tribunais superiores deveriam ter um mandato pré-estabelecido e não deveriam ser indicados por presidentes ou grupos políticos a quem irão julgar, considerando o fato da necessidade de formação acadêmica e conhecimento técnico jurídico, tais indicações deveriam ser feitas pela academia e não por políticos. E por fim a vitalidade cria uma casta dos ministros intocáveis que perpetuam suas opiniões políticas e ideológicas antes mesmo de sentenças prolatadas.


Professor Hélvio Costa é jurista e professor universitário

Quer receber esta e outras notícias diretamente no seu Whatsapp? Entre no nosso canal. Clique aqui.
 

 

Posts Recentes

A volta do Café Lamas

Tradição que resiste ao tempo. Após quatro meses de portas fechadas em decorrência de um…

1 dia atrás

Niterói inicia obras contra alagamentos no Caio Martins

A Prefeitura de Niterói inicia nesta sexta-feira (23) as obras de macrodrenagem do Rio Icaraí…

2 dias atrás

Nova Iguaçu terá ônibus gratuitos no segundo turno

Nova Iguaçu, cidade da Baixada Fluminense, terá transporte público municipal gratuito neste domingo (25), durante…

2 dias atrás

Macaé terá Pedal Azul pela causa autista em novembro

Macaé, no Norte Fluminense, recebe, no dia 1º de novembro, a 5ª edição do Pedal…

2 dias atrás

Barra do Piraí renova matrículas até 30 de outubro

A renovação de matrícula dos estudantes da rede municipal de Barra do Piraí, no Sul…

2 dias atrás

Ruas virou soldado!

Por Nelson Lopes Douglas Ruas entrou na reta final da eleição presidencial com a tarefa…

2 dias atrás