No ambiente empresarial, o papel do CEO segue exatamente a lógica de um trabalho de um treinador de futebol. Crédito: Reprodução
Por Juedir Teixeira*
No futebol e no mundo corporativo existe uma semelhança profunda — e muitas vezes subestimada: o verdadeiro papel da liderança.
Ao observar um grande time em campo, é comum cair na armadilha de atribuir o resultado exclusivamente ao talento dos jogadores. Gols, dribles e defesas espetaculares capturam a atenção. No entanto, quem acompanha o esporte com olhar mais atento sabe que vitórias consistentes raramente são obra do acaso ou de talentos isolados. Por trás de equipes vencedoras existe sempre uma figura central, muitas vezes invisível durante os 90 minutos: o técnico.
O técnico não entra em campo para marcar gols, não disputa a bola e tampouco executa as jogadas decisivas. Ainda assim, sua influência é determinante. Ele é responsável por algo muito mais sofisticado: criar as condições para que o time atinja o seu máximo potencial coletivo. Ele organiza, direciona, ajusta, desenvolve e, sobretudo, faz com que o conjunto funcione melhor do que a soma das partes.
No ambiente empresarial, o papel do CEO segue exatamente essa mesma lógica.
No meu livro A Arte da Liderança: o CEO como Catalisador do Sucesso Empresarial, que já está na Editora, defendo uma tese clara: o CEO não é — e não deve ser — o protagonista operacional da empresa. Ele é o arquiteto do desempenho coletivo. Sua função não é executar, mas garantir que a execução aconteça com excelência, consistência e alinhamento estratégico.
Assim como um técnico de futebol, o CEO precisa exercer cinco papéis essenciais:
No mundo corporativo, essa responsabilidade recai diretamente sobre o CEO. É ele quem define o posicionamento estratégico, escolhe os mercados em que a empresa irá atuar, determina as prioridades e aloca recursos. Uma estratégia mal definida compromete qualquer execução — assim como um time desorganizado em campo dificilmente vence.
O mesmo vale para o CEO. Construir uma equipe de alta performance exige mais do que contratar bons profissionais. É preciso formar um time que funcione de forma integrada, com competências complementares e alinhamento de objetivos. Além disso, desenvolver pessoas é parte central da liderança. Empresas vencedoras são aquelas que crescem junto com seus talentos.
Nas empresas, isso se traduz em cultura organizacional. Valores bem definidos, comportamentos esperados e, principalmente, disciplina na execução. Estratégia sem execução não gera resultado. E execução sem disciplina gera inconsistência. O CEO é o guardião dessa cultura — ele define o padrão e garante que ele seja seguido.
No mundo dos negócios, a lógica é a mesma — porém, muitas vezes, mais complexa. Mudanças de mercado, novas tecnologias, comportamento do consumidor, crises econômicas. O CEO precisa ter sensibilidade para interpretar sinais, coragem para rever decisões e agilidade para ajustar a rota. Rigidez estratégica é, frequentemente, sinônimo de fracasso.
No ambiente corporativo, liderar é, essencialmente, mobilizar pessoas. É fazer com que indivíduos com interesses distintos se alinhem em torno de um propósito comum. O CEO precisa inspirar, comunicar com clareza e gerar confiança. Sem isso, não há engajamento — e sem engajamento, não há execução consistente.
Ao final, tanto no futebol quanto no mundo empresarial, o resultado aparece de forma objetiva: no placar ou no balanço. No entanto, quem entende de liderança sabe que o resultado é apenas a consequência visível de um trabalho muito mais profundo e, muitas vezes, invisível.
Antes da vitória, existe direção. Antes da performance, existe alinhamento. Antes do resultado, existe construção.
É por isso que a liderança do CEO, assim como a de um grande técnico, não pode ser medida apenas por resultados imediatos. Resultados pontuais podem ser fruto de circunstâncias. Já a consistência ao longo do tempo é resultado de liderança estruturada, intencional e disciplinada.
Grandes líderes não são aqueles que aparecem no momento do gol. São aqueles que constroem o time que sabe vencer — repetidamente, com método, com propósito e com consistência.
E, no mundo dos negócios, essa é a diferença entre empresas que apenas sobrevivem e aquelas que constroem trajetórias sustentáveis de sucesso.
Juedir Teixeira, PhD em Administração Estratégica
Autor de A Arte da Liderança: o CEO como Catalisador do Sucesso Empresarial
Juedir Teixeira é PhD, fundador e CEO da JTB Consultoria
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