Miriam Leitão, Luciana Costa (BNDES) e Anselmo Seto Leal (Águas do Rio) abriram o evento. (Foto: Divulgação)
O seminário do programa Esse Rio é Meu, realizado na última segunda-feira (23) no Museu do Amanhã, reuniu especialistas, autoridades e representantes da sociedade civil em um debate que foi além das questões técnicas sobre saneamento. O encontro destacou o papel da educação e da mobilização social na transformação ambiental e marcou o anúncio da expansão do projeto para os municípios de Japeri, São Gonçalo, Queimados e São João de Meriti.
O evento contou com a participação de nomes como Miriam Leitão, André Trigueiro, Silvana Gontijo, Anselmo Seto Leal e Luciana Costa, entre outros convidados.
Durante a abertura, foi destacado que a recuperação dos rios no estado depende diretamente do trabalho desenvolvido nas escolas. Atualmente, o programa envolve 1.557 unidades da rede municipal, promovendo a despoluição de rios como parte do currículo e incentivando o engajamento comunitário.
Segundo Silvana Gontijo, a crise hídrica deve ser compreendida de forma ampla, envolvendo questões sociais, econômicas e de saúde pública. Já Anselmo Seto Leal ressaltou que o saneamento vai além da infraestrutura e exige mudança de comportamento, especialmente dentro das famílias.
O presidente do Conselho do Planetapontocom, Afonso Borges, destacou que o programa já atua em 343 rios e córregos do estado, com a participação de 1.894 escolas municipais, e defendeu a transformação da iniciativa em política pública de alcance nacional.
A primeira mesa do seminário abordou a relação entre saneamento básico, educação e desenvolvimento econômico. Mediado por Miriam Leitão, o painel destacou a necessidade de investimentos para cumprir as metas do novo marco do saneamento até 2033.
Na sequência, o debate tratou dos impactos da falta de saneamento na saúde pública e nas desigualdades sociais. O médico Luis Fernando Corrêa apontou que a ausência de infraestrutura adequada contribui para a disseminação de doenças e sobrecarga do sistema de saúde. Representantes da área educacional e institucional também ressaltaram a importância de projetos ambientais nas escolas e o papel do saneamento na promoção da cidadania.
O terceiro painel trouxe uma abordagem cultural e política da crise hídrica, destacando os rios como elementos centrais da identidade e da memória coletiva. Os participantes criticaram modelos de desenvolvimento considerados predatórios e defenderam maior engajamento social na preservação ambiental.
O debate incluiu relatos sobre impactos em comunidades tradicionais, como os apresentados pela secretária Úrsula Vidal, além de reflexões sobre gestão de recursos hídricos e a necessidade de fortalecer vínculos entre sociedade e natureza.
Ao final do seminário, foi oficializada a expansão do programa para municípios da Baixada Fluminense e do Leste Metropolitano, além do lançamento de um projeto-piloto voltado ao Ensino Médio.
A iniciativa, apoiada pela Águas do Rio, prevê a realização de atividades como rodas de leitura e apresentações educativas com a Turma do Planeta, buscando ampliar o engajamento de estudantes e comunidades. O objetivo é replicar resultados já observados em experiências anteriores, como a recuperação do Rio Carioca, iniciada em 2015, e consolidar novos padrões de comportamento ambiental nas regiões atendidas.
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