No papel, todo eleitor sabe que vota em uma chapa. Crédito: Antonio Augusto / Secom / TSE
*Por Marcos Luz
O Rio de Janeiro vive, historicamente, uma política intensa, dinâmica e muitas vezes imprevisível. Mudanças de cenário, reacomodações eleitorais e disputas sucessivas por novos cargos fazem parte da cultura política do estado. Dentro desse contexto, existe um ponto que ainda recebe menos atenção do que deveria por parte do eleitor: a importância do vice.
No papel, todo eleitor sabe que vota em uma chapa. Na prática, porém, grande parte das pessoas ainda concentra sua escolhe exclusivamente no candidato principal. E a experiência recente do Rio mostra que isso pode ser um erro.
Nos últimos ciclos eleitorais, o estado assistiu a situações em que titulares deixaram seus cargos antes do fim do mandato, seja para disputar novas eleições, seja por mudanças de cenário político. Isso faz parte do jogo democrático e da estratégia política. Mas o efeito prático é direto: quem assume é o vice eleito junto com o titular.
Na capital, por exemplo, existe um debate público relevante. Durante a campanha, o atual prefeito afirmou aos eleitores que, se eleito, cumpriria o mandato até o final. Hoje, no entanto, já há declarações e movimentações políticas apontando para uma possível candidatura ao governo do estado. Caso isso se confirme, abre-se espaço para que o vice assuma a Prefeitura do Rio.
Independentemente de posição política, esse cenário ilustra uma realidade objetiva: promessas de campanha convivem com mudanças de contexto político.
Outro exemplo forte vem do governo do estado. O atual governador assumiu o cargo como vice e, à época, era praticamente desconhecido da maior parte da população fluminense. Com a saída do titular, passou a comandar o estado inteiro.
Esse caso é emblemático porque mostra, de forma muito concreta, como o vice pode, de um dia para o outro, se tornar a principal autoridade executiva. E isso depende da escolha feita lá atrás, na urna.
Esse padrão não é novidade no Rio. Ao longo das décadas, municípios fluminenses já passaram por mudanças de comando decorrentes de sucessão automática. A história política do estado mostra que a sucessão não é uma hipótese distante, mas uma possibilidade concreta dentro de qualquer mandato.
O problema é que o eleitor ainda costuma avaliar candidatos com base exclusiva em visibilidade, frases de feito ou supostas ideologias. Esses fatores não são suficientes. Eleições majoritárias são, essencialmente, eleições de projeto coletivo.
No Rio de Janeiro, esse cuidado precisa ser ainda maior por uma característica própria do estado: a mobilidade política das lideranças.
Por isso, o eleitor fluminense precisa incorporar definitivamente algumas perguntas ao seu processo de decisão: quem é o vice? Qual sua experiência política ou administrativa? Tem preparo para assumir a gestão? O que ele pensa sobre temas sensíveis que impactam o dia a dia da sociedade?
Essas perguntas não são exagero. São parte do exercício básico da cidadania. Quando o eleitor escolhe uma chapa, ele escolhe também um modelo de gestão, um grupo político e um sucessor imediato em caso de necessidade. Ignorar isso significa votar sem considerar todo o cenário possível de governo.
O Rio já mostrou diversas vezes que mandatos podem mudar de mãos antes do prazo previsto. Isso significa que o eleitor precisa votar sabendo exatamente quem pode assumir o comando.
Hoje, informação não falta. Histórico político, atuação pública, votações anteriores, alianças e trajetórias estão disponíveis para consulta pública. Nunca foi tão fácil pesquisar antes de decidir.
O fortalecimento da democracia passa, necessariamente, por um eleitor mais atento, mais informado e mais consciente de que, em eleições majoritárias, a escolha nunca é de uma pessoa só. No Rio de Janeiro, onde a política se move rápido, essa atenção faz ainda mais diferença.
No fim das contas, a eleição não termina no dia da votação. Ela continua ao longo de todo o mandato. E, em qualquer cenário, quem assume já foi escolhido pelo eleitor. Por isso, olhar a chapa completa não é detalhe. É parte essencial do voto consciente.
*Marcos Luz é presidente do Conexão Fluminense
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