Opinião

Os Royalties são do Rio: em defesa dos nossos municípios

*Por Marcos Luz

O debate sobre a redistribuição dos royalties do petróleo volta à pauta nacional em um momento que exige responsabilidade, equilíbrio e visão de longo prazo.

Mais do que uma discussão jurídica, trata-se de uma decisão com impactos diretos sobre a capacidade de investimento do Estado do Rio de Janeiro e, sobretudo, de seus municípios produtores — territórios que sustentam, na prática, uma das mais relevantes cadeias econômicas do país.

Os royalties do petróleo não configuram privilégio. São compensações constitucionais destinadas a mitigar os impactos concretos da atividade petrolífera, que incluem riscos ambientais, pressão sobre infraestrutura, demandas urbanas crescentes e custos operacionais permanentes nas regiões produtoras.

Esses recursos desempenham papel central no financiamento de políticas públicas.

Nos municípios fluminenses, os royalties viabilizam investimentos estruturantes em saúde, educação, mobilidade urbana, saneamento e segurança. São receitas que permitem o planejamento de médio e longo prazo, com efeitos diretos na qualidade de vida da população.

Qualquer alteração nesse modelo, especialmente com redução das receitas destinadas aos entes produtores, representa uma ruptura significativa na capacidade de investimento dessas regiões.

Trata-se, portanto, de uma medida com consequências previsíveis: retração de investimentos públicos, comprometimento de serviços essenciais e aumento da pressão sobre finanças municipais já sensíveis.

Além disso, a eventual mudança nas regras de distribuição levanta um ponto fundamental para o ambiente institucional brasileiro: a segurança jurídica.

A estabilidade das regras é elemento indispensável para a confiança de investidores, para o planejamento dos entes federativos e para a previsibilidade das políticas públicas. Alterações que desconsiderem essa premissa fragilizam não apenas um estado, mas a credibilidade do país como um todo.

É fundamental reconhecer que os municípios produtores não apenas participam da cadeia do petróleo — eles são a base territorial onde essa atividade se materializa. É nesses locais que os impactos são sentidos de forma direta e contínua, e é justamente por isso que a Constituição assegura a compensação financeira.

O momento exige serenidade, mas também firmeza.

Preservar os royalties do petróleo nos moldes atuais é garantir a continuidade de investimentos essenciais, proteger a capacidade de planejamento dos municípios e reafirmar o compromisso com um pacto federativo equilibrado e funcional.

O Rio de Janeiro, por meio de seus municípios produtores, contribui de forma decisiva para o desenvolvimento nacional. É justo, portanto, que essa contribuição seja reconhecida e respeitada.

Defender os royalties é, acima de tudo, defender investimento público, estabilidade institucional e responsabilidade federativa.


*Marcos Luz é presidente do Conexão Fluminense

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