Capital

Papai Noel do Leblon concorre com samba-enredo na Unidos do Jacarezinho

Por Marcos Vinicius Cabral

A três meses do Natal e a cinco do Carnaval do ano que vem, Luís Claudio Vasconcellos, de 55 anos, vive jornada dupla. Conhecido como Papai Noel do Leblon desde a pandemia, o ex-técnico de contabilidade atende pedidos de fotos e vídeos com pedestres nas ruas, em bares e restaurantes na Zona Sul.

Já à noite, Luís Claudio se descaracteriza do Bom Velhinho para virar compositor de samba-enredo, já que no próximo 3 de outubro, o Papai Noel do Leblon e parceiros vão concorrer com um samba-enredo que pretende homenagear Xande de Pilares, na Unidos do Jacarezinho, na Série Ouro. Além disso, se tudo correr bem, o folclórico personagem terá a vida contada em uma peça no Teatro Clara Nunes, na Gávea.

“Fiquei muito tempo afastado do Carnaval. Em 2010, na Mangueira, participei das finais de sambas-enredo que contava a história do Nelson Cavaquinho, mas perdi. Agora, ao lado dos talentosos Partidinho da Mangueira, Rômulo, Gilmar Olímpio e Serginho Raiz, montamos uma parceria que vai sair vitoriosa na Unidos do Jacarezinho. Escolhi a escola em razão dela ter subido à Série Ouro do ano que vem e tem boas chances de chegar ao Grupo Especial em 2027.

O nosso samba conta a história de Xande de Pilares, desde o nascimento no Morro do Turano, na Tijuca, até chegar ao Morro do Andaraí, onde conheceu a divina trindade Almir Guineto, Adalto Magalha e Arlindo Cruz. O samba que compusemos tem boas chances de ser o escolhido e isso me deixa muito feliz”, contou ansioso, já que as eliminatórias começam no dia 3 de outubro.

Ansiedade essa que Luís Claudio viveu na pandemia, quando sem trabalho e sem ter o que dar de comer à família, entrou em desespero. Mas foi a roupa de Papai Noel que o salvou.

“Vivi um período muito difícil da minha vida. Desesperado, sem trabalho e sem perspectiva nenhuma, lembrei da fantasia do Papai Noel no guarda-roupa e como havia trabalhado em um antigo supermercado perto da minha casa na ocasião, não restou outra alternativa: me vesti de Papai Noel!

Com um cartaz nas mãos escrito: Por favor, tire uma foto e me ajude!, passei todo o isolamento social trabalhando dessa forma e acreditando em dias melhores. E deu certo. Foi assim que nasceu o Papai Noel do Leblon”, explicou emocionado.

Para quem encarou de peito aberto a Covid-19, o isolamento social e conviveu com a morte de amigos e de pessoas próximas, ter o samba-enredo escolhido no próximo 17 de outubro não chega a ser um desafio tão difícil.

“A Covid-19 serviu para mudar a rota da vida de muitas pessoas. Uma dessas fui eu. Acreditava que poderia voltar a trabalhar como técnico de contabilidade que é a minha área. Mas quis o destino, com a ajuda de Deus, que o Papai Noel do Leblon se tornasse famoso e me fizesse voltar ao Carnaval, minha paixão.

No entanto, Luís Claudio faz questão de lembrar de todos os momentos difíceis que passou. A única coisa que quer esquecer é o apelido da época de outros carnavais.

“Meu apelido era Catranca. Por favor, agora me chamem de Papai Noel do Leblon. Ele é a minha história de vida, de superação e de conquistas”, concluiu otimista.


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