Opinião

Raios x do crime

*Por Marcos Espínola

O Senado Federal está na eminência de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, com o objetivo de apurar a atuação, expansão e funcionamento de organizações criminosas no território brasileiro, em especial as facções e milícias. Em verdade, passamos da hora de uma providência vertical, ou seja, no nível federal, como esta que se desenha, para realmente ser feito um raio x da ação do crime para, através de inteligência buscar combatê-lo.

A CPI, se realmente criada, vai investigar o modus operandi das organizações criminosas, as condições de instalação e desenvolvimento em cada região do país, bem como as respectivas estruturas de tomadas de decisão, de modo a permitir a identificação de soluções adequadas para o seu combate efetivo, especialmente por meio do aperfeiçoamento da legislação vigente.

Esse mapeamento é importante, sobretudo para, após entender minuciosamente toda essa engrenagem, atacar o caixa do crime, ou seja, sufocar todas as suas atividades econômicas. Sem dinheiro elas não prosperam e será por esse caminho que se pode enfraquece-la, evitando seu crescimento.

O lado delicado da história é o fato de o crime organizado estar inserido nos mais variados segmentos da sociedade, especialmente na estrutura pública do país. Uma vez mapeada toda a sistemática de forma detalhada, certamente será encontrado vespeiros ruins de serem mexidos. Não é de hoje que é sabido a influência do crime em todos os poderes, algo grave que não se evitou ao longo dos anos.

Enquanto isso, a criminalidade foi se fortalecendo e a violência avançando avassaladoramente. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 47,3 mil mortes violentas intencionais em 2022. A taxa é de 23,3 homicídios por 100 mil habitantes, colocando o país entre os 20 mais violentos do mundo, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). 

Além da violência direta, o impacto econômico também é expressivo, pois a estimativa é de que, apenas com o envio de cocaína para a Europa, as facções faturam mais de R$ 300 bilhões, caso todo o volume interceptado no Brasil fosse exportado ao continente. Paralelamente, as milícias, como a que domina parte da Zona Oeste do Rio de Janeiro, lucram com a cobrança de taxas ilegais e o controle de serviços em áreas vulneráveis.   

Mais do que entender todo o mecanismo das organizações criminosas no país, um raio x da criminalidade terá o poder de fortalecer e direcionar a segurança pública no Brasil, encontrando medidas mais eficazes e assertivas, trazendo a paz social de volta para o país.


*Marcos Espínola é advogado criminalista e especialista em segurança pública

Quer receber esta e outras notícias diretamente no seu Whatsapp? Entre no nosso canal. Clique aqui.

Posts Recentes

Semifinais da Série A2 do Carioca começam no sábado

Fim de papo na Taça Santos Dumont, 1º turno da Série A2 do Campeonato Carioca.…

2 horas atrás

IPM – Índice de Participação dos Municípios: Como a Reforma Tributária asfixia o dinamismo econômico dos municípios

*Por Nelson Curvellano O pacto federativo brasileiro caminha a passos largos para uma de suas…

2 horas atrás

Pontal do Atalaia coloca Arraial do Cabo entre as melhores praias do mundo

Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, passou a integrar a seleção da World's 50…

18 horas atrás

Nova Friburgo inicia obras da primeira Barreira Sabo do Brasil

As obras da primeira Barreira Sabo do Brasil começaram nesta semana em Nova Friburgo, na…

19 horas atrás

Macaé inicia pré-campanha de vacinação antirrábica para cães e gatos

A Prefeitura de Macaé, no Norte Fluminense, iniciou nesta segunda-feira (6) a pré-campanha de vacinação…

21 horas atrás

Japeri recebe duas novas ambulâncias do Novo PAC

A Prefeitura de Japeri, na Baixada Fluminense, recebeu duas novas ambulâncias destinadas pelo Governo Federal…

22 horas atrás