Opinião

Solidão e exercício

*Por Marcello Barbosa

Todos nós, durante a vida, precisamos de relações sociais, de interagir com pessoas e grupos tanto para nossa sobrevivência como também para o nosso desenvolvimento. São nesses grupos que buscamos referências, modelos, valores e comportamentos.

Segundo um relatório do US Surgeon General Vivek Murthy, a solidão crônica pode ser tão prejudicial quanto a obesidade, a inatividade física e o tabagismo, estando associada a uma série de condições de saúde graves, incluindo depressão, demência, doenças cardiovasculares e até mesmo morte precoce.

Segundo Neto (2000), a solidão é “uma experiência comum e um sentimento penoso que se tem quando há discrepância entre o tipo de relações sociais que desejamos e o tipo de relações sociais que temos.”

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que um em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão, que está ligada a aproximadamente 870 mil mortes por ano. Indivíduos solitários estão cada vez mais expostos a sofrer de doenças físicas e psíquicas, sendo associados a um risco 30% maior de mortalidade por diversas causas. 

Dentre alguns benefícios que a atividade física pode proporcionar estão a distração dos estímulos estressores, melhor qualidade de vida, maior controle sobre o seu corpo e sua vida, melhora da capacidade respiratória, o aumento de estímulos ao sistema nervoso central, na memória recente, funções motoras e a interação social, proporcionada pelo convívio com outras pessoas. Durante a realização de exercícios físicos, o organismo libera dois hormônios essenciais para auxiliar no tratamento da solidão e da depressão, a endorfina e a dopamina. Ambos têm influência principalmente sobre o humor e emoções, gerando sensação de prazer e bem estar.

Oliveira (2018) diz que os exercícios mais indicados são a caminhada e a corrida. No caso da corrida, por ser um exercício aeróbio de alta intensidade, “ela facilita a produção de monoaminas cerebrais, além de promover efeitos psicossociais no combate do alívio dos sintomas da depressão” . Por sua vez, Arcos, Consentino e Reia (2014, apud Duda 1995) enfatizam que a prática da musculação faz com que o indivíduo libere a serotonina, outra substância necessária no organismo para melhorar o humor, reduzir ansiedade e aumentar a autoestima.

A recomendação geral é de se exercitar pelo menos três vezes por semana, entre 30 e 40 minutos, com intensidade de moderada a forte. Exercícios em grupos são os mais indicados. Independente da escolha da atividade física ou da modalidade esportiva, o exercício é uma poderosa ferramenta para prevenção e tratamento da solidão! Portanto, bora malhar!


*Marcello Barbosa, Subsecretário de Esportes RJ, é Professor de Educação Física e Mestre em Projetos Sociais e Intervenção Socioeducativa.

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