Cultura & Lazer

Turma Em Cena leva circo-teatro e oficinas a Mangaratiba

A turnê “A Turma em Cena Chegou – 25 anos” realizou, ao longo do mês de março, uma série de atividades culturais em Mangaratiba, no Sul Fluminense. O projeto, que tem o patrocínio da Vale, por meio da Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura), celebra os 25 anos da companhia Turma Em Cena reunindo espetáculos de circo-teatro, oficinas formativas e ações de inclusão, com acesso gratuito ao público.

Com direção geral de Adriano Sampaio Evangelista, conhecido como Palhaço Didi, a proposta do projeto é ampliar o acesso às artes cênicas em territórios populares, integrando tradição circense, memória local e formação cultural. “O nosso objetivo é levar atividades artísticas para territórios que muitas vezes têm pouco acesso a bens culturais, unindo entretenimento, formação e desenvolvimento local”, destacou Adriano.

As atividades em Mangaratiba começaram no dia 9 de março, com visitas a escolas da rede pública. Os encontros envolveram apresentações do projeto e rodas de conversa com estudantes, conduzidas por artistas e pelas historiadoras Mirian Bondim e Joyce Fagundes, responsável também pela metodologia das oficinas. A ação buscou promover escuta ativa e incentivar a participação de jovens no processo cultural.

Entre os destaques, a concessão de bolsas de produção no valor de R$300 possibilitou a participação de estudantes do Ensino Médio no desenvolvimento do projeto. Já a seleção de músicos bolsistas, reuniu artistas locais em audição realizada no Centro Cultural Professor Cary Cavalcanti, evidenciando a diversidade cultural da região.

A experiência impactou diretamente os jovens selecionados no processo formativo. “Foi uma experiência incrível, com certeza, que me rendeu muitos ensinamentos e aprendizados para a vida. Vai ficar marcado na minha memória”, afirmou Richard Rodrigues, aluno do Colégio Estadual João Paulo II.

Já Estefany Otoni, aluna do Colégio Estadual Clodomiro Vasconcelos, destacou o aprendizado e a troca proporcionados pela iniciativa. “Cada detalhe foi especial e cada experiência foi única. Eu gostei muito de ter participado, de ter um pouco mais de conhecimento, conhecer pessoas novas, aprendi coisas que eu não sabia, aprendi com todo mundo”, relatou.

As oficinas formativas abordaram temas como identidade, memória, território e relações étnico-raciais, além de empreendedorismo cultural, apresentando caminhos de atuação profissional no setor artístico. As atividades ocorreram no Centro Cultural Cary Cavalcanti e contaram com a participação de moradores e artistas locais.

A programação incluiu ainda ensaio técnico aberto ao público em Muriqui e apresentações gratuitas em unidades escolares. No dia 27 de março — data em que se celebram o Dia Nacional do Circo e o Dia Mundial do Teatro — foram realizadas duas sessões no CIEP 294 – Cândido Jorge Capixaba, com presença de autoridades locais e participação de público diverso, incluindo pessoas com deficiência (PCDs).

A apresentação contou com recursos de acessibilidade, como tradução em Libras e audiodescrição. A iniciativa também ofereceu pipoca e algodão doce ao público, em parceria com o Instituto José Olimpo Simões, contribuindo para um ambiente acolhedor.

Com músicas populares, números clássicos do circo e interação direta com a plateia, o espetáculo promoveu a participação de diferentes gerações e estimulou reflexões sobre convivência e cuidado com o espaço coletivo.

Ao todo, a turnê em Mangaratiba alcançou público de 1.045 pessoas, com média de 348 espectadores por apresentação e 21 participantes nas ações pedagógicas. As atividades envolveram estudantes entre 8 e 15 anos, além de público adulto nas oficinas.

A produção é assinada por Horlan Gentil, da HG Produções, e com organização e registro da memória conduzidos por Joyce Fagundes, trabalho que dará origem à criação de um livro sobre a turnê nas cidades atendidas e a trajetória de 25 anos da Turma Em Cena.

Turnê “A Turma em Cena Chegou – 25 anos” segue para outros estados

Fundada em 2000, a Turma Em Cena atua na democratização do acesso à cultura, especialmente em comunidades tradicionais. A circulação do projeto segue por outras cidades do Sudeste, com previsão de três apresentações e duas oficinas em Vila Velha, no Espírito Santo, e três apresentações e duas oficinas em Ouro Preto, Minas Gerais.


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