O futebol é reconhecido como o esporte mais popular do mundo.
*Por PHD Rogerio Vilela de Abreu Pereira
O futebol é reconhecido como o esporte mais popular do mundo, exercendo influência sobre aspectos biológicos, sociais, culturais e políticos. Além de seus benefícios para a saúde física e mental, o futebol também representa um importante instrumento de mobilização política, identidade nacional e desenvolvimento social. Este artigo tem como objetivo discutir as relações entre futebol, saúde e política, por meio de revisão narrativa da literatura científica. Os estudos demonstram que a prática regular do futebol melhora a aptidão cardiorrespiratória, reduz fatores de risco para doenças crônicas e favorece o bem-estar psicológico. Paralelamente, governos e instituições utilizam o futebol como ferramenta de integração social, fortalecimento da identidade nacional e promoção de políticas públicas, embora também possa ser empregado para fins de propaganda política e interesses econômicos.
O futebol ultrapassa a condição de modalidade esportiva, constituindo um fenômeno social de grande impacto cultural, econômico e político. Estima-se que bilhões de pessoas acompanhem regularmente competições nacionais e internacionais, tornando-o um dos maiores instrumentos de comunicação entre povos (FIFA, 2023).
Do ponto de vista da saúde, o futebol promove importantes adaptações fisiológicas decorrentes da combinação de exercícios aeróbios e anaeróbios, favorecendo melhorias cardiovasculares, metabólicas e neuromusculares (Krustrup et al., 2010).
Sob a perspectiva política, diversos governos utilizaram o futebol como mecanismo de construção de identidade nacional, diplomacia internacional e fortalecimento de agendas governamentais (Levermore & Budd, 2004).
Futebol e Saúde
A prática regular do futebol apresenta benefícios amplamente documentados pela literatura científica.
Entre os principais efeitos fisiológicos destacam-se:
– aumento do VO₂ máximo;
– redução da pressão arterial;
– melhora da sensibilidade à insulina;
– redução do percentual de gordura corporal;
– aumento da força muscular;
– melhora da densidade mineral óssea;
– diminuição do risco cardiovascular (Krustrup et al., 2010).
Além dos benefícios físicos, estudos demonstram melhora significativa da saúde mental, incluindo redução dos sintomas de ansiedade, depressão e estresse, favorecendo maior qualidade de vida e integração social (Pedersen & Saltin, 2015).
Em idosos, programas recreativos de futebol também contribuem para melhora do equilíbrio, da coordenação motora e da autonomia funcional, reduzindo o risco de quedas.
Historicamente, o futebol foi utilizado como instrumento de fortalecimento político.
Grandes eventos esportivos frequentemente servem para:
– reforçar o sentimento nacionalista;
– promover a imagem internacional de governos;
– estimular investimentos urbanos;
– aumentar a popularidade de lideranças políticas.
Segundo Levermore e Budd (2004), o esporte tornou-se uma importante ferramenta da diplomacia contemporânea.
Durante a Copa do Mundo de 1970, por exemplo, a conquista da seleção brasileira foi amplamente explorada pelo governo militar como elemento de fortalecimento do nacionalismo e de legitimação política (Helal, 2001).
Em outros contextos, o futebol também tem sido utilizado para promover inclusão social, combate à violência e redução das desigualdades, principalmente por meio de projetos comunitários destinados à infância e juventude (Coalter, 2013).
A Organização Mundial da Saúde reconhece que a prática regular de atividade física constitui uma das principais estratégias para prevenção das doenças crônicas não transmissíveis (OMS, 2020).
Nesse contexto, programas governamentais que utilizam o futebol como ferramenta de promoção da saúde apresentam resultados positivos em:
-combate ao sedentarismo;
-prevenção da obesidade;
-inclusão social;
– desenvolvimento educacional;
– fortalecimento comunitário.
A associação entre esporte e educação também favorece o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, liderança, cooperação e respeito às regras.
Apesar de seus benefícios, o futebol também apresenta desafios.
Entre eles destacam-se:
-lesões esportivas;
-violência entre torcidas;
-corrupção em entidades esportivas;
-manipulação política;
-interesses econômicos sobrepostos aos interesses sociais.
Esses aspectos reforçam a necessidade de políticas públicas transparentes, gestão ética e incentivo ao esporte como direito social.
O futebol constitui muito mais do que uma prática esportiva. Trata-se de um fenômeno capaz de promover saúde, inclusão social, desenvolvimento humano e fortalecimento das políticas públicas. Entretanto, sua enorme capacidade de mobilização também o transforma em poderoso instrumento político, podendo produzir benefícios coletivos ou servir a interesses específicos. O equilíbrio entre esporte, saúde e governança representa um dos principais desafios das sociedades contemporâneas.
COALTER, F. Sport for Development: What Game Are We Playing? London: Routledge, 2013.
FIFA. Football Unites the World. Zurique: FIFA, 2023.
HELAL, R. Passes e Impasses: Futebol e Cultura de Massa no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2001.
KRUSTRUP, P. et al. Recreational football as a health promoting activity: a topical review. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, v. 20, Suppl. 1, p. 1–13, 2010.
LEVERMORE, R.; BUDD, A. Sport and International Relations. London: Routledge, 2004.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. WHO Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour. Genebra: WHO, 2020.
PEDERSEN, B. K.; SALTIN, B. Exercise as medicine – evidence for prescribing exercise as therapy in 26 different chronic diseases. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, v. 25, Suppl. 3, p. 1–72, 2015
*Rogerio Vilela, PhD em Treinamento Desportivo e Educação, é professor da Universidade Cândido Mendes. Ele escreve ao ser convidado por Marcello Barbosa.
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