Por Nelson Lopes
Com a desistência do ex-governador Cláudio Castro (PL) em disputar uma vaga ao Senado, abriu-se um campo de embates para assumir a vaga nas eleições deste ano. Carlos Jordy, Sóstenes Cavalcante e Carlos Portinho são tidos como os principais nomes do PL para a missão. Mas, tem quem defenda que Felipe Curi, do PP, deve assumir o rojão. Jordy é visto como capaz de prender o voto do “bolsonarismo raiz”, enquanto Sóstenes tem a igreja evangélica ao seu lado. Portinho, que já é senador, tem a direção ao seu lado. Já Curi é lembrado por ter forte apelo por defender a pauta da segurança.
Castro deixou a disputa depois de operações da Polícia Federal que o associam ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele disse que os últimos dias foram “muito difíceis” e que a decisão de desistir da candidatura foi a “mais difícil” de sua vida”.
Pressão interna…
O ex-chefe do Executivo fluminense passou a receber pressões até mesmo no PL para abrir mão da candidatura. Na avaliação de caciques da legenda que trabalham em Brasília, Castro (que já estava inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral) passou a ter “chances nulas” de se viabilizar à disputa e poderia atrapalhar os planos de Flávio Bolsonaro à Presidência. Ao renunciar, Castro poupou Flávio de tirá-lo formalmente da disputa. Não por acaso, o discurso dele foi o de “uma decisão pessoal para cuidar da própria defesa”.
Foi, digamos assim, uma saída pela tangente…
Paes lamenta…
Pois é, pode parecer inusitado. Mas, houve lamentos na campanha de Eduardo Paes da saída de Castro da disputa. É que Paes vincularia o ex-governador a Douglas Ruas na campanha, trazendo a rejeição para o bolsonarista com o qual vai duelar pelo governo. Sem Castro nos materiais de campanha de Flávio e Ruas, esta vinculação se torna mais difícil. Mas, é claro que ela será insistentemente feita pelo ex-prefeito da capital. Paes, aliás, segue rodando o interior do estado.
Ruas respira…
Em um contraponto, Douglas Ruas respira aliviado. Ele sabe que a presença de Castro em sua chapa havia se tornado tóxica. O ex-governador seria alvo constante dos adversários. Em Brasília, a saída de Castro era vista como a única tábua de salvação para a campanha dele.
Nas peças publicitárias ele será apresentado como um amigo de confiança da família Bolsonaro, avalizado por Flávio, e que tem experiência familiar administrativa em São Gonçalo. O trabalho é assinado por Paulo Vasconcelos, marqueteiro que conduz a campanha de Ronaldo Caiado à Presidência e foi o responsável pela reeleição de Castro no primeiro turno em 2022.
Sabe o horizonte?
Olhando para frente, a Executiva Nacional do PL estuda uma saída honrosa para Castro: colocá-lo no TCE-RJ. Acontece que isto ser possível, as próximas operações da PF não podem voltar a mirar o ex-governador. É esperar para ver…
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