Opinião

Governança é uma alavanca para desenvolvimento do Rio

*Leonardo Zylberman e Lucas Legnare

O Estado do Rio de Janeiro vivencia uma oportunidade concreta de transformar sua tradição empresarial, sua estrutura institucional e seu capital intelectual em um ambiente de negócios cada vez mais confiável, competitivo e capaz de atrair investimentos crescentes. Nesse sentido, a governança corporativa é uma alavanca para o desenvolvimento estadual.

Os números ajudam a dimensionar esse potencial. Segundo os dados mais recentes do IBGE, referentes a 2023, o Rio de Janeiro responde por 10,7% do PIB brasileiro, com R$ 1,17 trilhão. É a segunda maior economia estadual do País, e seu desempenho é impulsionado principalmente pelos setores de óleo e gás, financeiro, médico-hospitalar, seguros, elétrico, indústria criativa, tecnologia e turismo.

O Rio tem uma vantagem histórica, sendo pioneiro ao hospedar a primeira bolsa de valores do País em 1851. O legado dessa trajetória permanece no Estado, que abriga instituições como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a SUSEP, a ANS, a ANBIMA, os principais fundos de pensão brasileiros, além de universidades e centros de pesquisa que são referências nacionais e internacionais (UFRJ, UFF, UFRRJ, FGV-RJ, PUC-RJ, IME-RJ, IMPA, FIOCRUZ, CENPES).

Em dezembro de 2026, a CVM completará 50 anos. O marco é simbólico não apenas para a autarquia, mas para o próprio Rio de Janeiro, que concentra parte importante da memória, do conhecimento técnico e da inteligência institucional construída em torno do mercado de capitais. Esse histórico é um ativo econômico, pois o ambiente de negócios depende da confiança gerada em regras claras, instituições sólidas, transparência, previsibilidade e capacidade de responsabilização.

A reorganização da máquina administrativa pública atualmente em curso no Estado e a recente eleição de um novo governo criam uma janela de oportunidade para aprofundar a colaboração entre setor público, iniciativa privada e sociedade civil organizada. Essa cooperação não deve ser compreendida como substituição das responsabilidades do Estado, mas como mecanismo legítimo de construção conjunta de soluções para desafios complexos.

Uma agenda comum e uma atuação coordenada entre as empresas e um poder público com credibilidade junto à população, podem criar condições para diversificar investimentos, estimular novos negócios e se preparar para as transformações econômicas, tecnológicas, energéticas e sociais que já estão em curso, potencializando resultados positivos para toda a sociedade e gerando benefícios compartilhados entre empresas, trabalhadores e comunidades. Governança é alavanca para essa trajetória virtuosa.

Para isso, o avanço contínuo de boas práticas de governança nas empresas é fundamental, e o Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC deve servir de referência e bússola, com ênfase nos seus cinco princípios basilares: Integridade, Transparência, Equidade, Responsabilização e Sustentabilidade. Quando esses preceitos direcionam efetivamente a tomada de decisão, a governança converte-se em efetiva vantagem competitiva. Empresas mais bem governadas tendem a reduzir riscos, melhorar processos decisórios, fortalecer sua reputação e ampliar a confiança de investidores, clientes, parceiros e instituições financeiras.

Ao fortalecer a integridade, ampliar a transparência, assegurar relações mais equilibradas, ampliar a responsabilidade da gestão e incorporar uma visão de longo prazo, as empresas contribuem para um ambiente de negócios mais previsível e confiável. Isso é um fator condicionante para atrair capital, estimular parcerias, favorecer a expansão empresarial e gerar investimentos produtivos. O Rio de Janeiro tem história, instituições, empresas relevantes de todos os portes, conhecimento e uma economia de escala suficiente para avançar nessa agenda. O desafio agora é transformar esses ativos em uma cultura empresarial cada vez mais orientada pela governança corporativa.

*Leonardo Zylberman, coordenador-geral do Capítulo Rio de Janeiro do IBGC.
*Lucas Legnare, diretor de Expansão e Parcerias do IBGC 


Quer receber esta e outras notícias diretamente no seu Whatsapp? Entre no nosso canal. Clique aqui.

Posts Recentes

Alerj pode dobrar o número de vagões exclusivos para mulheres

O deputado Chico Machado (PL) protocolou na Alerj um projeto de lei dobrando o número…

22 minutos atrás

Encontro de Jovens Lideranças Contábeis debaterá o futuro da profissão

O futuro da Contabilidade será protagonista do V Encontro Estadual de Jovens Lideranças Contábeis RJ,…

1 hora atrás

Nova Iguaçu recebe roda de danças ciganas e brasileiras

O projeto “Rodas de Danças Circulares Ciganas e Brasileiras — Saberes e Práticas Tradicionais” realiza…

20 horas atrás

Hospital de Araruama terá cinco salas cirúrgicas

O Hospital Estadual Roberto Chabo (HERC), localizado em Araruama, na Região dos Lagos, ganhará duas…

21 horas atrás

Rio das Ostras se torna referência com a Patrulha Maria da Penha

O trabalho desenvolvido pela Patrulha Maria da Penha de Rio das Ostras tem servido de…

22 horas atrás

Idosos recebem medicamentos a domicílio em Itaperuna

A Prefeitura de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, oferece entrega domiciliar de medicamentos de uso contínuo…

22 horas atrás