Pesquisa revela impacto da inflação nas finanças das famílias. (Foto: wirestock/Freepik)
A inflação é o principal fator apontado pelos consumidores como responsável pelo descontrole financeiro, segundo a pesquisa Perfil do Inadimplente, realizada pelo Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) em parceria com o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio). O levantamento ouviu 350 pessoas que procuraram os postos de atendimento do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) do CDLRio para regularizar pendências financeiras.
De acordo com o estudo, 60% dos entrevistados atribuíram à inflação a principal causa do desequilíbrio nas finanças. Em seguida aparecem o endividamento, citado por 58%, e as dificuldades na gestão do orçamento doméstico, mencionadas por 17%.
A pesquisa também identificou outros fatores que impactam a saúde financeira das famílias, como a percepção de juros elevados (15%), o hábito de emprestar o próprio nome para terceiros (8%) e problemas relacionados a golpes ou extravio de documentos (2%).
O perfil dos entrevistados mostra que 52% são homens, 25% trabalham em diferentes segmentos do comércio, 65% têm mais de 25 anos e 70% possuem renda familiar entre 1,5 e 7 salários mínimos.
Entre os participantes, cerca de 95% informaram possuir algum tipo de dívida, considerando modalidades como cartão de crédito, crédito pessoal, cheque especial e carnês. Entre os que apontaram o endividamento como causa do descontrole financeiro, 25% relataram dificuldades para quitar os débitos e 5% afirmaram não ter condições de honrar os compromissos assumidos.
Segundo o presidente do CDLRio e do SindilojasRio, Aldo Gonçalves, a pesquisa reforça o impacto da inflação sobre o orçamento das famílias e indica que muitas pessoas recorrem ao crédito para manter o padrão de consumo.
Para ele, a educação financeira pode contribuir para reduzir os efeitos do elevado endividamento, enquanto a combinação entre inflação, juros altos e dificuldades na administração do orçamento amplia o descontrole das finanças.
Aldo Gonçalves também destacou a preocupação com o percentual de consumidores que enfrentam dificuldades para pagar suas dívidas ou afirmam não ter condições de quitá-las. Na avaliação do dirigente, esse cenário pode resultar em retração do consumo nos próximos meses e só tende a melhorar com crescimento econômico sustentado, manutenção do emprego e redução das taxas de juros.
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