Eduardo Paes (Foto: reprodução do Instagram oficial de Eduardo Paes)
Por Nelson Lopes
O eleitorado evangélico tem se tornado um dos pontos de atenção na disputa pelo governo do Rio entre Eduardo Paes e Douglas Ruas. A campanha do candidato do PL atribui parte importante do crescimento registrado na pesquisa Real Time Big Data, que o levou a 21% das intenções de voto, ao desempenho entre evangélicos do interior e da Baixada Fluminense. Levantamento anterior do Paraná Pesquisas também identificou uma diferença relevante nesse segmento: Ruas registrou 24,4% entre os eleitores que haviam participado de celebração religiosa nos dez dias anteriores à pesquisa. E é isso o que mais preocupa a cúpula do PSD, em Brasília.
É que o dado coloca o eleitorado religioso no centro da estratégia de crescimento de Ruas, candidato apoiado pelo campo bolsonarista. Enquanto a pesquisa mais recente mostra Paes com 35% e Ruas com 21%, o candidato do PL ainda apresenta baixo conhecimento entre os eleitores. A campanha aposta, portanto, na ampliação da exposição de Ruas e na mobilização de segmentos nos quais sua candidatura vem apresentando maior presença, entre eles o eleitorado evangélico.
O cenário regional ocorre após Paes perder o apoio de uma importante aliado, que muito interessava ao PSD em nível nacional: o pastor Silas Malafaia. Ele rompeu a neutralidade e passou a criticar o ex-prefeito em fevereiro. Malafaia havia apoiado Paes em disputas anteriores, e sua ausência do campo de apoio ao candidato do PSD reduz uma das pontes que o prefeito poderia utilizar junto ao eleitorado evangélico neste momento da corrida. O apoio dele está, justamente, com Ruas!
A relação entre Malafaia e Paes, a gente lembra, sofreu desgaste após o desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e levou à Sapucaí críticas a segmentos conservadores e evangélicos. Malafaia reagiu publicamente à apresentação e afirmou ter encerrado o pacto de não agressão que mantinha com Paes, a quem havia apoiado nas eleições municipais de 2020 e 2024. O episódio ganhou dimensão política porque Paes acompanhou o desfile ao lado de Lula na Sapucaí, enquanto a apresentação da escola passou a ser alvo de críticas de lideranças evangélicas.
Carlos Jordy tem pontuado bem nas pesquisas de intenção de voto para o Senado, mas encara uma movimentação contra a sua candidatura que vem de Brasília. Correligionários que tentam uma vaga de deputado federal pelo PL do Rio evitam fazer campanha para ele. O motivo?
É que a esposa de Jordy, Lais Jordy, é candidata à Câmara. Logo, enaltecer o nome do candidato ao Senado seria como impulsionar a colega de partido, uma concorrente direta ao posto. É mole?
A guerra está posta. Paes e Ruas trocam farpas abertas no programa eleitoral e em cima do palanque. Enquanto Paes acusa Ruas de ter enriquecido através da política, o correligionário de Jair Bolsonaro escalou Pedro Paulo como alvo. Ele lembra das acusações de violência contra a mulher feitas no passado ao aliado de Paes. E é aí que mora o incômodo do Palácio do Planalto.
Há o medo na campanha de Lula à Presidência que o tema volte à baila e contamine o palanque do presidente, que tem em uma política de erradicação do feminicídio uma das suas principais plataformas. Caso o vulto se torne incontornável, é possível que Pedro Paulo seja evitado em futuros atos.
Em tempo: Pedro Paulo sempre negou as agressões à ex-mulher e foi inocentado pelo STF.
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