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O delegado atrás das grades

Por Nelson Lopes

Caiu como uma bomba no PL de Jair Bolsonaro o pedido de prisão feito pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, contra o deputado Alexandre Ramagem, condenado por participação na trama golpista. O delegado deixou o Brasil e se mandou para os Estados Unidos, à revelia da Câmara e sem avisar que viajaria. Ele apenas informou uma breve licença médica. Agora, se pisar no Brasil, Ramagem será detido pela Polícia Federal.

Um baque para o partido de Bolsonaro, que via em Ramagem uma espécie de representante da ala moderada do bolsonarismo, e o imaginava ocupando ministérios em uma eventual volta da direita ao Palácio do Planalto. Ramagem, é bom lembrar, foi candidato à prefeitura do Rio no ano passado, é amigo pessoal de Carlos Bolsonaro, e chegou a ser cogitado para ocupar a presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.


Em que isso implica para o Rio?

Além de a bancada bolsonarista perder um possível puxador de votos no ano que vem, também perderá um “discurso”. Ramagem foi candidato à prefeitura da capital galgado no discurso de combate à criminalidade, mesmo mote que deve ser usado pelo candidato à sucessão de Cláudio Castro no governo. Com ele foragido, o discurso será facilmente combatido por Eduardo Paes, que venceu Ramagem em 2024.

Não é mole não…


E por falar em Moraes…

Flávio e Carlos Bolsonaro estavam com o pai, nesta sexta, quando receberam a visita do deputado de Minas Gerais, Nikolas Ferreira. Após sair da residência onde Bolsonaro cumpre pena, Nikolas disse que Moraes quer “matá-lo”, caso o faça cumprir pena no presídio da Papuda, em Brasília. Carlos, em uma postagem, já havia dito nesta semana que Bolsonaro tem tido seguidas crises de soluços e vômitos.

A pressão é grande para que o ex-mandatário siga em casa. Nos bastidores de Brasília, entretanto, diz-se que a ordem de prisão deve sair na próxima semana.


Todos contra Messias…

O presidente Lula indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. Agora, ele precisará ser sabatinado pelo Senado. Mas, a bancada bolsonarista liderada por Flávio Bolsonaro e Carlos Portinho, ambos do Rio, fará resistência ao nome. Até agora, Messias não conta com votos suficientes para a aprovação e dependeria da ajuda do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que não deve se envolver nesta questão.

Dessa forma, a oposição vai fazer ainda mais barulho. É esperar para ver.


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