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Entenda por que o Aeroporto Internacional do Galeão precisa voltar a ser um hub aéreo

*Por Sérgio Duarte

A concessão dos aeroportos Santos Dumont e Tom Jobim no Rio deve ser um dos desafios do Estado, Prefeitura e União. O Governo Federal calcula em cerca de R$ 1,3 bilhão o investimento privado durante a concessão do SDU. Enquanto o Ministério da Infraestrutura afirma que a organização do modelo de concessão segue em andamento, a expectativa é de que os dois terminais tenham o mesmo operador e passem a funcionar de maneira complementar.

Para a Rio Indústria, é imprescindível que o Aeroporto Internacional Tom Jobim volte a ser um hub aéreo, o que impulsionaria o turismo do Estado. Além disso, com a retomada de voos para o Galeão a indústria é adicionalmente beneficiada, já que as aeronaves também são utilizadas para transporte de cargas (matérias primas, insumos e mercadorias), o que reduz o frete do serviço e atrai novas empresas. 

Quando a atual concessão do Galeão foi feita, o país passava por outra realidade; o Brasil estava em um patamar diferente, ninguém contava com a pandemia da Covid-19, por exemplo. Desde então, o movimento caiu muito e hoje tem um outro perfil, por isso o atual modelo de concessão do aeroporto Galeão não se sustenta, a outorga de praticamente 1 bilhão por ano é inviável. É preciso que ele seja repensado e uma nova licitação realizada.

Vale destacar também a importância do aeroporto para o desenvolvimento do Complexo Econômico Industrial da Saúde, anunciado pelo Governo neste mês, com o objetivo de fortalecer a produção nacional de insumos de saúde. A importação dessas matérias primas é feita pelo aeroporto, são produtos de alto valor agregado e baixo peso.

O Aeroporto Internacional do Galeão é de extrema importância para o Rio de Janeiro, visto que é um dos principais pontos de entrada e saída de passageiros e cargas da cidade. Além disso, o aeroporto tem papel fundamental no desenvolvimento econômico da região, já que movimenta o turismo e o comércio internacional. Recentemente, o Galeão passou por uma grande reforma, o que trouxe melhorias na infraestrutura e no conforto dos passageiros. O que apoiamos ser o melhor para nosso Estado é o SDU ser focado em voos regionais e Galeão para voos de média e longa distância, nacional e internacionais.

Todos os aeroportos concorrentes do Rio, ou de grandes cidades do Brasil já estão sob gestão privada, que busca produtividade, competitividade, ganhos de escala. Deixar somente o Rio, frente a Guarulhos, Congonhas, Brasília, é uma desvantagem com recursos cada vez mais escassos de uma gestão federal.

O Galeão é fundamental para o Brasil e mais ainda para o Estado do Rio de Janeiro. Somos a unidade da federação com o maior potencial turístico, porta de entrada de muitos viajantes. Por isso, reforço ser de suma importância que o Aeroporto Internacional Tom Jobim volte a ser um hub aéreo, para que as conexões com outros estados aconteçam aqui. Isso é facilitará também para que o turista que for fazer conexão para outras localidades, tenha a opção de permanecer alguns dias no Rio.

Aeroporto Internacional é vital para a indústria

Para a indústria, ter um aeroporto desse porte é vital, pois, como expliquei, quando trazemos passageiros, o avião também está transportando carga para a indústria. Isso torna a operação aeroportuária significativa e proporciona mais competitividade. Precisamos de um aeroporto forte para ter condições de competir com outros estados e países, com um custo mais barato para trazer essa mercadoria ou insumo e exportar os produtos fabricados aqui.

Por isso, uma licitação conjunta é importante – os aeroportos Santos Dumont e Galeão são complementares, se for feita a modelagem certa. Existe uma proposta que as principais entidades empresariais do Rio elaboraram, e a Rio Indústria faz parte, em que o Santos Dumont ficaria com o destino para as principais capitais do Sudeste (500 quilômetros) e Brasília, e o restante das conexões ficaria com o Galeão. Com isso entendemos que conseguiríamos viabilizar o SDU e traríamos viabilidade para o Galeão, com os dois se complementando, proporcionando uma oferta de voo muito importante para a economia do Rio, unindo turismo e indústrias.

Sérgio Duarte é presidente da Rio Indústria e fundador do Grupo Corrêa Duarte e da indústria Chinezinho.


Sérgio Duarte é presidente da Rio Indústria e fundador do Grupo Corrêa Duarte e da indústria Chinezinho.

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