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Coluna

Rio, o laboratório para o segundo turno

O destaque da coluna nesta semana é o peso do eleitorado fluminense na disputa pela presidência da república

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02 de outubro de 2026
Rio, o laboratório para o segundo turno

Por Nelson Lopes

O Rio tende a ganhar peso ainda maior na disputa presidencial depois do primeiro turno, especialmente porque o estado se consolidou ao longo da campanha como um dos principais territórios de confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro. Na pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quarta-feira (30), Flávio aparece com 44% contra 35% de Lula no primeiro turno entre os fluminenses e, na simulação de segundo turno, registra 52% contra 41% do petista. O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre 25 e 29 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

É por isso que, a partir de domingo, Brasília deverá acompanhar com atenção a capacidade de cada campanha de transformar o Rio em vitrine nacional. Lula já levou sua campanha a São Gonçalo e articulou atos na capital, enquanto Flávio intensificou a presença no estado e avalia ampliar as agendas para fortalecer Douglas Ruas. O segundo turno poderá transformar o território fluminense em palco recorrente de agendas presidenciais, com a disputa nacional contaminando diretamente a eleição para o governo e vice-versa.


O Senado, um dos flancos!

A eleição para o Senado deverá deixar de ser uma disputa pulverizada para assumir, na semana seguinte ao primeiro turno e após o primeiro turno, protagonismo no âmbito nacional. E o motivo é simples de entender: quem for eleito será ostentado pelas campanhas presidenciais que avançarem para o segundo turno. A corrida pelas duas cadeiras fluminenses chega à reta final com números apertados: o Real Time Big Data divulgado nesta quarta-feira aponta Carlos Jordy com 18%, Benedita da Silva com 15%, Carlos Portinho com 14%, Pedro Paulo com 12% e Marcelo Crivella com 10%. Já a Quaest divulgada na terça-feira colocou Benedita, Jordy e Portinho empatados em 15%.A composição da bancada fluminense interessará particularmente às duas campanhas presidenciais porque os candidatos carregam vínculos distintos com os campos políticos nacionais.

Benedita é a principal aposta do PT, enquanto Jordy e Portinho são bolsonaristas. A própria base de Lula chegou dividida à reta final em relação ao segundo voto para o Senado, com parte do campo progressista defendendo Monica Benicio e o grupo ligado a Eduardo Paes trabalhando por Pedro Paulo.


A Câmara, o termômetro…

A apuração para a Câmara dos Deputados também deverá ser lida em Brasília como um indicador da força relativa das diferentes correntes políticas no estado. O Rio elege 46 deputados federais, e a movimentação desta eleição envolve inclusive nomes que trocaram a Câmara pelo Senado, como Benedita da Silva, Carlos Jordy e Pedro Paulo.

O resultado permitirá medir até que ponto a força demonstrada pelo bolsonarismo na disputa presidencial se converteu em representação parlamentar. Também será relevante observar o desempenho das legendas de centro e da esquerda em um estado no qual a direita mantém presença expressiva no Congresso. A leitura da bancada eleita, portanto, será uma das primeiras tarefas da política nacional na semana seguinte à votação.


Paes e Ruas, ao trabalho!

Se a disputa pelo governo chegar a um segundo turno, a primeira semana após a votação será marcada pela reorganização dos palanques e pela definição explícita das alianças. Eduardo Paes chega à reta final tentando equilibrar sua associação com Lula e, simultaneamente, preservar espaço entre eleitores que não se identificam com o petismo. Douglas Ruas, por sua vez, construiu sua campanha em torno da identificação com Flávio Bolsonaro e do eleitorado bolsonarista.

No último debate, essa diferença voltou a aparecer de forma explícita: Paes foi cobrado pela relação com Lula, enquanto Ruas explorou reiteradamente sua ligação com Flávio. O primeiro turno, nesse cenário, funcionará também como uma espécie de plebiscito sobre o grau de nacionalização da eleição fluminense. Pesquisas recentes mostram que Paes manteve a liderança, enquanto Ruas avançou: no Datafolha de 28 de setembro, Paes tinha 43% e Ruas, 30%, contra 54% e 38%, respectivamente, em uma simulação de segundo turno. Independentemente da configuração que sair das urnas, a semana seguinte deverá ser de intensa negociação com prefeitos, deputados, candidatos derrotados e lideranças partidárias em torno dos dois palanques.


A ótica candanga

A principal mudança de chave na semana seguinte ao primeiro turno será a sobreposição das três disputas: Presidência, governo estadual e Senado. O Rio deixará de ser apenas um dos estados onde Lula e Flávio medem forças e passará a concentrar interesses cruzados de candidatos que dependem dos mesmos grupos políticos. A campanha presidencial poderá influenciar a disputa pelo Palácio Guanabara, enquanto o resultado para governador e senador, por sua vez, terá impacto sobre a construção dos palanques nacionais para a reta final.


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