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Ruas toca o barco, PSD vai à Brasília

O destaque da coluna nesta semana é o início do trabalho de Douglas Ruas enquanto que uma retomada da eleição estadual recolocaria duas campanhas locais nas ruas

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16 de outubro de 2026
Ruas toca o barco, PSD vai à Brasília
O governador eleito Douglas Ruas. Crédito: Fernando Frazão / ABR

Por Nelson Lopes

Douglas Ruas começou a organizar o futuro governo do Rio enquanto o PSD levou ao Supremo, nesta quarta-feira, o pedido para restabelecer o segundo turno contra Eduardo Paes. A ação questiona a exclusão dos votos de Anthony Garotinho do cálculo eleitoral, que permitiu ao candidato do PL superar a metade dos votos válidos. O pedido depende de decisão judicial.

O desdobramento pode alcançar a disputa presidencial. A eventual retomada da eleição estadual recolocaria duas campanhas locais nas ruas, simultaneamente ao confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro. Até lá, Ruas trabalha com o resultado reconhecido pela Justiça Eleitoral, enquanto o partido de Paes tenta reabrir em Brasília uma disputa encerrada no Rio.


Primeiro sinal? É a voz da mulher!

A escolha de Fernanda Louback para uma secretaria de políticas para mulheres e inclusão foi o primeiro anúncio do secretariado de Ruas. Vice-governadora eleita, ela terá a missão de articular essas ações entre diferentes áreas da administração, levando para o Executivo as bandeiras que defendeu na Câmara de Niterói.

A indicação também oferece um tema de alcance nacional ao PL: como transformar a representação feminina e a defesa das pessoas com deficiência em políticas de governo. Na disputa entre Lula e Flávio, o anúncio permite ao partido apresentar uma agenda social concreta no estado. Sua execução, porém, dependerá da estrutura, dos recursos e da capacidade de coordenação que a futura gestão deverá assegurar à pasta.


Obras na mesa

A equipe de Ruas avalia reunir Infraestrutura, Cidades e o Departamento de Estradas de Rodagem sob uma mesma estrutura. O prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli, aparece como cotado para comandar o arranjo, ainda em estudo. A hipótese integra uma discussão mais ampla sobre enxugamento administrativo na próxima gestão.

Se avançar, a reorganização concentrará em um interlocutor uma parcela relevante das demandas municipais por obras. É nesse ponto que a montagem do governo encontrará a bancada fluminense em Brasília: deputados e senadores terão de negociar prioridades e recursos com a nova estrutura. O resultado presidencial definirá se essa interlocução ocorrerá com um Planalto aliado ao PL ou comandado novamente pelo PT.


Altineu olha adiante

Altineu Côrtes começou a articular uma candidatura à presidência da Câmara em 2027. A movimentação mostra que a bancada do Rio já disputa espaço na organização do próximo Congresso. Uma candidatura de Altineu precisará atravessar as negociações nacionais entre partidos e a definição do futuro presidente da República. Para o grupo de Ruas, ter um aliado nessa disputa ampliaria a interlocução com a Câmara, embora a articulação esteja longe de representar um acordo fechado.


Da orla ao Senado

Lindbergh Farias participou, na segunda-feira, do ato pró-Lula em Copacabana que reuniu críticas a Flávio e defesa do fim da escala 6×1. No dia seguinte, o senador fluminense e candidato do PL anunciou que votaria a favor da proposta. A sequência aproximou a mobilização de rua no Rio do debate legislativo em Brasília.

A disputa passa também pela autoria política da mudança. Enquanto os petistas apresentam a redução da jornada como uma bandeira da campanha de Lula, Flávio procura disputar o mesmo eleitor ao declarar apoio à proposta.


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