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Venda de veículos elétricos cresce 109% no Estado

A venda de veículos elétricos no Estado do Rio de Janeiro registrou um aumento de 109% no primeiro semestre de 2024 em comparação ao mesmo período de 2023, de acordo com um levantamento realizado por pesquisadores do Mestrado Profissional em Ciências do Meio Ambiente da Universidade Veiga de Almeida (UVA), baseado em dados públicos do Detran-RJ.

Em números absolutos, o crescimento corresponde a mais 4.141 veículos elétricos com emplacamento obrigatório – automóveis, motocicletas, caminhões, ônibus – circulando nas ruas e rodovias do estado. O número total chegou a 13.409 unidades.

Segundo o levantamento da UVA, desde o início da série histórica, em janeiro de 2011, os veículos elétricos registraram a melhor participação em relação à frota veicular total do estado, saltando de 0,08% para 0,16% em junho de 2024. Além disso, junho de 2024 foi o quarto melhor mês da série histórica, com 758 emplacamentos de veículos elétricos.

“Verificamos que o emplacamento dos veículos elétricos no estado tem sido crescente, estando acima das 500 unidades desde novembro de 2023, com exceção do último mês de fevereiro – quando, historicamente, vende-se menos automóveis devido às férias e ao carnaval”, explica Ricardo Soares, coordenador do Mestrado Profissional em Ciências do Meio Ambiente da UVA e organizador do levantamento.

Chegada de novas montadoras impulsionou a venda de veículos elétricos

Um dos principais impulsionadores para a evolução da venda de veículos elétricos no Brasil, avaliam os pesquisadores, foi a chegada de novas montadoras chinesas, como BYD e GWM, em 2023, com uma política de preços agressiva para conquistar fatia expressiva do mercado nacional da eletromobilidade.

“A presença de novos players com renome internacional e reconhecida experiência na produção de veículos elétricos, dotados de preços competitivos, poderia dar a sensação de termos pela frente uma tendência sólida no crescimento dos veículos elétricos, que possuem tecnologias mais limpas e amistosas ao meio ambiente. Contudo, desde o ano passado as montadoras nacionais vêm exigindo do governo federal o aumento da tributação dos veículos elétricos importados da China”, diz Augusto Ahn Ka, pesquisador da UVA e um dos autores do estudo. No início do ano, o governo federal elevou o imposto de importação incidente sobre veículos elétricos. A última alíquota ao entrar em vigor, em julho de 2026, passará a ser de 35%.

“Enquanto a indústria automobilística nacional pressiona para que a alíquota máxima de 35% seja antecipada imediatamente, deveríamos discutir a adoção de políticas públicas sustentáveis que considerem os impactos das mudanças climáticas. A adoção de carros elétricos, assim como a adoção de energias renováveis, é essencial para uma transição energética justa. Precisamos incentivar e não limitar as soluções sustentáveis”, completa Ka.

Previsões otimistas indicam que o estado do Rio de Janeiro poderá ultrapassar a marca de 20 mil veículos elétricos emplacados ainda em 2024. Entretanto, além das incertezas associadas a uma eventual antecipação imediata do valor máximo do imposto para carros elétricos produzidos na China, ainda há lacunas na infraestrutura de recarga existente dos carros elétricos no estado do Rio de Janeiro.

Para Carlos Canejo, professor do Mestrado Profissional em Ciências do Meio Ambiente da UVA e um dos líderes da pesquisa, a rápida expansão da frota veicular elétrica não está necessariamente acompanhando os investimentos necessários em infraestrutura de recargas desses veículos, conhecidas como eletropostos, o que pode se tornar um desafio ainda maior para a expansão da eletromobilidade do estado.

“O Estado do Rio tem cerca de 34 veículos elétricos para cada eletroposto, enquanto internacionalmente se recomenda dez veículos elétricos para cada estação de recarga. O crescimento sustentável na adoção dos veículos elétricos passa necessariamente por preços mais acessíveis, mas também pelo incentivo de políticas públicas que promovam a conscientização ambiental e o planejamento da infraestrutura necessária para a recarga – e, com isso, evitar nos motoristas a ‘ansiedade de recarga'”, finaliza.


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