Por Nelson Lopes
A prisão de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, embolou de vez o campo da direita no Rio e implodiu uma crise entre o Centrão e o PL. É que se antes o PL via a substituição de Cláudio Castro por Carlos Jordy ou Carlos Portinho como maneira de evitar desgastes ao palanque de Cláudio Castro e Douglas Ruas no Rio, agora precisa lidar com uma crise que envolve o candidato do União. Canella foi preso em flagrante na terça-feira, portando um fuzil, durante operação da Polícia Federal contra irregularidades em postos de gasolina da Baixada Fluminense.
Até aí, a opção mais lógica seria rifá-lo em um contexto no qual o ex-secretário de Segurança Felipe Curi, do PP, seria o favorito para ocupar o posto. Acontece que o presidente do União, Antônio de Rueda, é candidato à Câmara pelo Rio em uma empreitada diretamente atrelada à de Canella. Por isso, a federação União-PP resiste em tirá-lo da disputa, enquanto houver a possibilidade de recurso judicial para dar a ele a liberdade. O PL, obviamente, refuta a possibilidade de ter ao lado de Flávio um candidato solto da cadeia dias antes.
É grande a crise que será acompanhada nos próximos dias…
Crise lá, crise cá…
Mas, também há crise fresquinha do outro lado da trincheira. Candidatíssimo ao Senado, Pedro Paulo acabou alvejado por acaso nesta semana por uma operação da Polícia Federal. É que a PF mirava ilegalidades em emendas feitas por Chiquinho Brazão à ONG Instituto Carioca de Atividades (ICA). Até aí, Pedro Paulo não tem nada a ver com isto. Ocorre que Brazão empenhou R$ 4 milhões na ONG.
Mas, a análise das emendas mostra que Pedro Paulo destinou quase R$ 20 milhões para o instituto. Em princípio, não há qualquer problema nesta atividade, necessária para a vida parlamentar. Ocorre que pipocam denúncias de que a generosidade do deputado com o ICA estava diretamente atrelada à nomeação de familiares em postos-chave do instituto.
Aí, a coisa pode esquentar para o aliado de Eduardo Paes…
Quanto custa a paz?
Washington Quaquá voltou atrás e declarou voto em Benedita da Silva para o Senado. Mas, o plot twist não ocorreu por acaso. Quaquá reviu a posição de olho na coordenação da campanha de Lula no Rio, posto no qual foi oficializado. Para ser o indicado, o prefeito de Maricá foi previamente orientado por correligionários e aliados de outros partidos a colocar panos quentes na situação.
Ele recebeu a decana petista e, desta forma, assumiu a coordenação da campanha presidencial. João Maurício, ex-presidente do PT Fluminense, ficou com a subcoordenação.
E o nome do PL, hein?
Mais uma semana se passou sem que Flávio Bolsonaro definisse quem será o candidato do PL ao Senado. Na semana passada, Carlos Jordy ameaçou abandonar os planos, diante de tantas incertezas e demora. Carlos Portinho já reclamou a aliados que não sabe se age como candidato ao Senado ou à Câmara, o que é danoso nas duas possibilidades. Até o momento, nem cheiro de anúncio.
E Flávio já tem marcada a data da convenção partidária que o oficializará como candidato à Presidência: será no próximo dia 25, em São Paulo.
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