Por Nelson Lopes
A oficialização de Douglas Ruas (PL) como governador eleito do Rio passou a depender da retotalização dos votos pelo TRE-RJ após o TSE determinar a anulação dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos). A decisão permite ao bolsonarista superar a metade dos votos válidos e vencer no primeiro turno. Em Brasília, Ruas apareceu ao lado de Flávio Bolsonaro em um vídeo de comemoração, com os dois defendendo a continuidade da mobilização para a disputa presidencial.
O desdobramento político será a possibilidade de concentrar na candidatura de Flávio a estrutura que trabalhava pela eleição estadual. Ruas já havia sido escolhido para coordenar a campanha presidencial no Rio. Com o quadro mantido, poderá exercer essa função sem dividir esforços com uma nova votação para governador.
Flávio já prepara retorno ao Rio
Flávio, que não é bobo nem nada, já anunciou que pretende visitar o Rio nesta sexta-feira e no sábado. O senador associará sua campanha presidencial ao resultado estadual, em um momento em que os aliados defendem manter a mobilização até o segundo turno contra Lula. O efeito dessa visita sobre a organização da campanha fluminense será um ponto de atenção nos dias seguintes. Com Ruas na coordenação estadual, a articulação de prefeitos, deputados e lideranças municipais poderá ganhar maior dedicação.
A propósito, ele participará de uma carreata em São Gonçalo, município que é – vejam só vocês! – o reduto eleitoral de Ruas.
O choro é livre!
Eduardo Paes recorreu ao Supremo Tribunal Federal para tentar garantir um segundo turno contra Douglas Ruas, mas o pedido foi negado pelo ministro Critiano Zanin. Diante disso, o ex-prefeito reconheceu a vitória de Ruas, apesar de ter lamentado o desfecho. “Decisão judicial, a gente respeita”, afirmou em suas redes sociais.
Lula diante da reorganização do palanque fluminense
A possibilidade de encerramento da disputa pelo governo do Rio coloca uma questão adicional para a campanha de Lula. O presidente reclamou a aliados da atuação do ex-prefeito no primeiro turno, avaliando que faltou apoio mais enfático à sua candidatura. Paes buscou alianças ao centro e evitou um confronto frontal com o bolsonarismo.
Na próxima semana, a participação de Paes na campanha nacional será um indicador da capacidade de reorganização desse campo no estado. Lula recebeu 39,41% dos votos válidos no Rio, contra 53,01% de Flávio Bolsonaro. A diferença dá dimensão do desafio, mas não permite antecipar quanto do eleitorado do ex-prefeito poderá ser mobilizado em favor do petista.
A bancada do PL como ponte entre Rio e Brasília
O PL chega à nova etapa da campanha com uma estrutura parlamentar ampliada no Rio. O partido elegeu Carlos Portinho e Carlos Jordy para as duas vagas do Senado, além de conquistar 15 das 46 cadeiras fluminenses na Câmara e 21 das 70 vagas da Assembleia Legislativa. Esse conjunto oferece a Flávio Bolsonaro uma rede de representantes com atuação estadual e acesso direto às articulações em Brasília.
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