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Os Empresários e a Geni do Zepelim: uma breve reflexão sobre o fim da escala 6×1

*Por Professor Hélvio Costa

Poucas coisas são tão incertas quanto o sucesso no empreendedorismo — e essa incerteza aumenta ainda mais quando o empreendedor é brasileiro. Todo empreendedor, ao acreditar em seu sonho, inicia uma luta contra as probabilidades de não sobreviver após cinco anos. Segundo o IBGE, 60% das empresas brasileiras fecham antes de completar esse período.

A quebra de um negócio é uma espécie de morte em vida para seus donos. Além de perderem patrimônio, saúde e, em alguns casos, até a família, ainda enfrentam um julgamento moral da sociedade, que os rotula como maus pagadores, irresponsáveis ou gananciosos.

As micro e pequenas empresas (MPEs) são indispensáveis para a economia brasileira, responsáveis por grande parte dos empregos e por uma fatia significativa do PIB nacional. Mesmo assim, o sonho de empreender no Brasil frequentemente esbarra no paredão estatístico da não sobrevivência quinquenal.

Não trato aqui das causas do insucesso, mas sim do juízo moral que recai sobre os empresários — um eco que vem desde discursos marxistas até os dias atuais, retratando-os como mesquinhos, gananciosos e exploradores. Sim, alguns são. Mas essas características não pertencem apenas aos empresários: estão presentes na política, na igreja, nas forças de segurança, nas escolas e em qualquer grupo humano.

Os argumentos a favor do fim da escala 6×1 se baseiam na busca por dignidade, saúde e inclusão social. A transição para a jornada 5×2 parte da ideia de que o modelo atual gera exaustão crônica, enquanto o novo formato seria um passo para modernizar as relações trabalhistas. Porém, é preciso lembrar: o Estado depende dos impostos arrecadados das empresas e dos empregos que elas geram.

A canção Geni e o Zepelim, de Chico Buarque, encaixa-se perfeitamente no debate sobre o fim da escala 6×1. Aqui, a “Geni” seriam os empresários brasileiros — condenados pelo senso comum como avaros e gananciosos, sobretudo em anos eleitorais, mas sempre chamados a servir aos interesses dos governantes quando necessário.

Vejo nesse debate a velha hipocrisia nacional. Há males muito mais nefastos à dignidade, à saúde e à inclusão dos trabalhadores: a corrupção endêmica, os gastos com carros oficiais, apartamentos funcionais, verbas de gabinete, assessores, viagens e cardápios dignos de hotéis cinco estrelas.

O mau uso da máquina pública é o verdadeiro vilão.

A escala 5×2 seria excelente — desde que acompanhada de uma ampla e profunda reestruturação do uso dos recursos públicos no Brasil.


Professor Hélvio Costa é jurista e professor universitário

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